quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A Noiva Perfeita

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Prontas para o altar
Elena Ricci nunca podia imaginar que sua viagem de fim de semana terminaria em chantagem, um casamento forçado e a necessidade de um herdeiro. 


Mas é isso o que acontece quando o poderoso Gabriele Mantegna a sequestra! 
O que ela não esperava era que seu corpo ardesse cada vez que Gabriele a tocava. 
Quando a atração entre os dois se torna tão tórrida quanto o ódio que sentem um pelo outro, como eles lidarão com o legado de sua paixão?

Capítulo Um

O grito ecoou pelo silêncio da capela de Nutmeg Island.
Gabriele Mantegna, havendo acabado de subir as escadas do porão, deteve-se abruptamente.
De onde diabos veio isso?
Ele desligou a lanterna, jogando a capela na mais completa escuridão, e escutou atentamente.
Teria sido um grito feminino? Decerto, não? Naquela noite, apenas a equipe de segurança estava na ilha.
Fechando cuidadosamente a porta do porão, ele adiantou-se até a única janela pequena da capela que não era um vitral. Estava escuro demais para ver qualquer coisa; contudo, após algum instante, uma luz fraca apareceu ao longe. Vinha da casa dos Ricci, onde, naquele momento, uma gangue armada estava se servindo de obras de arte e antiguidades inestimáveis.
A equipe de segurança da ilha estava cega no que dizia respeito à gangue, seus monitores remotamente alterados de modo a mostrar apenas informações falsas.
Gabriele verificou o relógio e fez uma careta. Estivera na ilha dez minutos além do que planejara. Cada minuto a mais aumentava as chances de ser pego. E para alcançar a praia no lado sul da ilha, de onde nadaria para a segurança, era uma caminhada de mais dez minutos.
Mas não imaginara o grito. Não ficaria com a consciência tranquila se fugisse sem verificá-lo.
Praguejando baixinho, Gabriele abriu a pesada porta da capela e saiu para o quente ar noturno caribenho. Da próxima vez que Ignazio Ricci escolhesse um local de paz e contemplação, encontraria o código do alarme da capela alterado.
Para uma construção projetada para reflexão e adoração pacífica, a capela Ricci fora dessacrada pelo propósito real de Ignazio.
Estivera tudo ali, debaixo do altar da capela, em um porão abarrotado de arquivos que datavam de décadas atrás. Uma trilha secreta de dinheiro sujo, o ponto fraco do império Ricci, escondido do mundo externo. No pouco tempo que Gabriele passara no porão, desencavara um número suficiente de evidências de atividades ilegais para colocar Ignazio na cadeia pelo resto da vida. 
Ele, Gabriele Mantegna, entregaria pessoalmente cópias dos documentos incriminadores para o FBI. Estaria presente no dia do julgamento, sentado em algum lugar estratégico, onde Ignazio, o homem que matara o seu pai, não tivesse como deixar de vê-lo.
Quando a sentença do juiz fosse dada, Ignazio saberia que fora ele o responsável pela sua queda.
Mas tudo ainda não eram flores. A evidência mais importante para Gabriele, os documentos capazes de limpar o seu próprio nome e exonerar o seu pai de uma vez por todas, não haviam sido encontrados.
Mas a evidência existia. Ele a encontraria, mesmo que levasse o resto de sua vida.
Tirando da cabeça a evidência desaparecida, Gabriele seguiu até as árvores e, agachando-se, avançou na direção da casa de Ricci, uma mansão de três andares.
Luzes brilhavam em uma janela do térreo. Qualquer subterfúgio por parte da gangue fora abandonado.
Algo dera errado.
Os homens na casa eram liderados por um gênio do crime que se apresentava como Carter. A especialidade de Carter era roubar itens caros por encomenda. Vasos Ming. Picassos. Caravaggios. Diamantes azuis. Rezava a lenda que não havia sistema de segurança no mundo que Carter não conseguisse driblar. Também tinha um talento todo especial para saber onde os membros da alta sociedade escondiam seus objetos de valor obtidos também por meios escusos, cuja ausência o proprietário, com certeza, não relataria às autoridades. Carter ficava com tais itens para si mesmo.
A porta da frente ficara aberta.
Ao aproximar-se, Gabriele pôde escutar vozes. Abafadas; contudo, inegavelmente zangadas.
Sabendo que estava correndo um grande risco, mas incapaz de ignorar o som do grito que ainda ecoava em seus ouvidos, Gabriele colou-se à parede externa da casa, ao lado da janela mais próxima da porta da frente, inspirou fundo e virou-se para olhar lá para dentro.
A entrada principal estava vazia.
Ele empurrou a porta, abrindo-a mais alguns centímetros.
A discussão abafada prosseguiu.
Ele cruzou o vão da porta. No instante em que seu pé de pato de borracha sintética encostou no piso de tábua corrida envernizado, um rangido pôde ser escutado.
Praguejando baixinho, Gabriele arriscou mais um passo, plantando todo o pé de uma só vez. Desta vez, não houve rangido.
Ele olhou ao redor. A sala tinha três portas. Apenas uma, do outro lado, estava aberta.
Com cautela, adiantou-se até ela, lamentando que não houvesse no aposento nenhuma estátua em tamanho natural atrás da qual pudesse se esconder, em caso de necessidade. Alcançando a porta, espiou pelo vão, olhando para a larga escadaria à direita, enquanto esticava as orelhas para a esquerda, em uma tentativa de determinar sobre o que os homens estavam discutindo. Se fosse apenas uma questão de um roubo dando errado, retornaria ao seu plano original e daria o fora daquela ilha.
Porém, aquele grito…




Série Prontas para o altar
1- Bodas de Sedução
2- Proposta sombria
3- A Noiva Perfeita

Proposta Sombria

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Prontas para o altar
Kassius Black ressurgiu como uma fênix das chamas de sua infância catastrófica. 

Agora, ele tem um único objetivo: se vingar do homem que o abandonou. 
O plano de Kassius é tirar tudo do pai, e produzir um herdeiro que nunca conhecerá o avô! 
A inocente e casta Laney Henry é a candidata perfeita para gerar seu filho. Então, o poderoso magnata faz uma oferta que ela não poderá recusar...


Capítulo Um

— Eu deveria demitir você agora, Laney. — A chefe olhou para ela. — Qualquer pessoa adoraria ter o seu emprego. E todas elas são menos estúpidas do que você!
— Desculpe! — Laney May Henry sentiu as lágrimas brotando ao ver o café quente que havia acabado de derramar no estimado casaco de peles branco de sua chefe, o qual estava pendurado no encosto de uma cadeira. Inclinando-se, ela tentava desesperadamente limpar a mancha com a manga de sua camisa de algodão desbotada. — Não foi...
— Não foi o quê? — Sua chefe, uma condessa norte-americana austeramente bela, casada e divorciada quatro vezes, semicerrou os olhos cuidadosamente maquiados. — O que está tentando dizer?
Não foi minha culpa. Mas Laney respirou fundo. Sabia que não faria sentido dizer à chefe que Araminta, a amiga dela, a fizera tropeçar deliberadamente quando Laney estava trazendo o café. Sentido nenhum, porque sua chefe tinha testemunhado a coisa toda e rido junto com a sujeitinha quando Laney tropeçou arfando ruidosamente, esparramando café para todos os lados do carpete do luxuoso apartamento de Mônaco. Para sua chefe, tudo fora uma boa piada — até que ela viu o café atingir seu casaco de peles.
— Bem? — perguntou Mimi du Plessis, a condessa de Fourcil. — Estou esperando.
Laney baixou o olhar.
— Desculpe, Madame la comtesse.
Mimi se voltou para Araminta, que vestia Dolce e Gabbana da cabeça aos pés e estava sentada do outro lado do sofá de couro branco, fumando.
— Ela é estúpida, não é?
— Muito estúpida — concordou Araminta, soprando um anel de fumaça delicadamente.
— É tão difícil conseguir bons empregados esses dias...
Mordendo o lábio com força, Laney olhou para o carpete branco. Dois anos atrás, ela havia sido contratada para organizar o guarda-roupa de Mimi du Plessis, acompanhar seus compromissos sociais e anotar recados. Mas também descobrira rapidamente por que o salário era tão bom. Ficava de plantão dia e noite, muitas vezes trabalhando vinte horas por dia e tolerando as provocações contínuas de sua chefe. Nos últimos dois anos, Laney ficara fantasiando todos os dias sobre desistir e voltar a Nova Orleans. Mas não podia. Sua família precisava desesperadamente do dinheiro, e ela amava sua família.
— Pegue o casaco e saia daqui. Não consigo tolerar olhar para essa sua cara patética nem mais um segundo. Leve o casaco à lavanderia, e que Deus tenha piedade de você se a peça não voltar até o baile de Ano-Novo desta noite. — Dispensando-a, a comtesse se voltou para Araminta, retomando a conversa anterior. — Acho que hoje à noite Kassius Black finalmente vai dar o primeiro passo.
— Acha mesmo? — perguntou a outra ansiosamente.
A comtesse sorriu, como um gato persa presunçoso diante de uma tigela dourada cheia de leite.
— Ele já desperdiçou milhões de euros concedendo empréstimos anônimos ao meu chefe. Mas, pelo jeito como as coisas estão indo, a empresa do meu patrão vai falir neste ano ainda. Eu finalmente disse a Kassius que, se ele quer minha atenção, deve parar de jogar dinheiro no ralo e simplesmente me convidar para sair.
— O que ele disse?
— Ele não negou.
— Então ele vai ser seu acompanhante no baile esta noite?
— Não exatamente...



Série Prontas para o altar
1- Bodas de Sedução
2- Proposta sombria
3- A Noiva Perfeita

Bodas de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Prontas para o altar
Apesar da reputação duvidosa, Lara Gray é virgem.

Por isso fica tão surpresa ao ser arrebatada pelo homem mais lindo de Roma, Raoul Di Vittorio, e pelo desejo que desabrochou em seu corpo após uma única noite. 

Mas o que Lara não sabe é que Raoul precisa de uma esposa, depois que seu casamento foi pelos ares. 
A bela e sofisticada Lara pode ser a mulher ideal, mas Raoul terá que convencê-la a ir com ele para o altar.


Capítulo Um

Houve um distinto burburinho enquanto Sergio Di Vittorio atravessava o cassino, um clima de expectativa quando o aristocrata idoso entrou, à frente de dois homens altos e de terno. O mais robusto deles ficou na entrada, enquanto o outro seguiu seu patrão.
De onde Raoul estava, recostado num pilar de mármore, com seus sensuais lábios se curvando num cínico sorriso, não totalmente desprovido de afeto, ele observava a imponente chegada de seu avô.
Ele se virou, sorrindo ironicamente ao flagrar seu corpo se endireitando automaticamente com a aproximação de seu avô. Velhos hábitos.
O ditatorial líder de todos os negócios e guardião do sobrenome da família tinha pontos de vista bem severos. Um deles dizia respeito ao jogo. O que não era de se admirar, levando-se em consideração que seu único filho, o pai de Raoul e Jamie, suicidara-se quando a realidade de suas dívidas no jogo veio a público.
Sergio poderia ter abafado o escândalo, acobertado as dívidas do filho, pois a quantia não significava nada para ele. Contudo, ele dissera para que seu filho fosse homem e se defendesse sozinho.
Ele estaria arrependido?
Raoul duvidava. A juvenil raiva dele fora reservada para o pai que escolhera o caminho fácil e os abandonara. Para uma criança, fora difícil entender aquele nível de desespero autodestrutivo. Nem mesmo os anos de compreensão adulta haviam levado embora a amargura, mas Jamie sempre estivera presente, o irmão mais velho que lutara por ele até que Raoul se tornasse grande e forte o suficiente para se defender sozinho.
Raoul quase conseguiu sentir os dedos quentes de seu irmão se fechando em torno dos dele quando o avô deles lhes dera a notícia. O momento estava gravado em sua memória: a solitária lágrima escorrendo no que parecera ser uma câmera lenta pelo rosto de seu irmão mais velho; a grave voz de seu avô explicando que eles iriam morar com ele.
Ele contivera o choro pela louca necessidade de agradar ao seu avô. Guardara as lágrimas para a privacidade de seu travesseiro.
Ao longo dos anos, o travesseiro fora substituído pelo conhaque. Ou talvez ele simplesmente tivesse perdido a capacidade de chorar. Talvez tivesse perdido a capacidade de sentir as coisas como as pessoas normais.
Lágrimas não trariam seu irmão de volta. Jamie se fora.
Ele baixou o olhar, seu peito se inflando, enquanto seus cílios ocultavam a tristeza.
— Sentimos sua falta no velório. — Sergio indicou a mesa da roleta com a cabeça. — Resolveu seguir os passos do seu pai?
Raoul ergueu a cabeça imediatamente.
— Imagino que essa opção sempre vá existir. E o senhor sabe o que dizem... o vício é hereditário.
— Pensei nessa possibilidade.
— Claro.
— Não, vocês dois escaparam dessa mancha, mas você é viciado em adrenalina, assim como Ja... — O velho parou e engoliu em seco várias vezes antes de prosseguir. — Seu irmão sempre dizia que... Ele... Jam...
Não aguentando ver seu avô lutando para recuperar o controle, Raoul o interrompeu.
— Que, se eu não morresse escalando, morreria dirigindo um dos meus carros.
Por um instante, a voz do irmão dele soou tão real que Raoul quase se virou, esperando ver aquele familiar rosto sorridente. Você é viciado em adrenalina, irmãozinho, e vai acabar se matando assim...




Série Prontas para o altar
1- Bodas de Sedução
2- Proposta sombria

Promessa de uma Vida

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O destino jogou por terra todas as tentativas de Lauren recomeçar a vida.

Só porque era mãe solteira, Lauren não tinha direito à felicidade? 
Ela achava que sim, mas o destino jogara por terra as suas tentativas de construir uma nova vida!
Agora, ali estava Warwick Sinclair, o homem que ela amava e do qual escondera por muito tempo a existência de Mandy, sua filha...
A hora da verdade chegara: Lauren não deixaria escapar o homem de sua vida.


Capítulo Um

Nervosa, Lauren tornou a consultar o relógio de pulso e a olhar para a porta do escritório do chefe que continuava trancada. Havia duas cartas para serem respondidas e colocadas no correio ainda naquela noite, e o expediente já se encerrara há um bom tempo.
Através da porta fechada, podia ouvir a voz grave e profunda de Warwick Sinclair que parecia dizer algo engraçado, pois o francês ria de modo estridente. Mais uma vez ela examinou as cartas, pensando em respondê-las, apesar de saber que o chefe era bem capaz de alterar uma ou outra frase, por pura implicância.
Porém, ao perceber que estava ficando tarde, decidiu-se. Colocou o papel no rolo da máquina, ajeitou-o e pensou um pouco antes de começar a imitar o estilo elegante de Warwick. Minutos depois, lendo o que havia escrito, deu-se por satisfeita com o resultado e resolveu arrumar a mesa, quando o interfone tocou.
— Pois não, Sr. Sinclair?
— Por favor, mande o motorista esperar por monsieur Rouilliere na porta da frente. Ele está de saída.
"Graças a Deus!", pensou Lauren aliviada, apressando-se a atender o pedido. Com um pouco de sorte, talvez conseguisse tomar o ônibus de sempre. Aquela reunião havia começado logo pela manhã, continuara durante um almoço, sem dúvida bastante caro, e agora se prolongava além do horário normal. Para piorar, Warwick a avisara que não queria ser interrompido, nem mesmo por telefonemas, o que a obrigara a passar a tarde inteira acalmando sua mais recente amiguinha.
Nesse instante, a telefonista ligou, indignada.
— Oi, Lauren, será que o Sr. Sinclair não tem casa? Nós passamos o dia trabalhando e, ainda por cima, temos de enfrentar a fila do ônibus. Que tal você explicar isso para o chefão e perguntar se posso ir embora?
— Ficou maluca, Meg? Nem louca eu o interromperia. Faz horas que o Sr. Sinclair está trancado com aquele francês, discutindo um negócio importante...
— Então faça a gentileza de explicar isso a nossa querida Petra, que telefonou outra vez, desesperada.
— Tudo bem! Passe a ligação para mim.
Pouco depois, a voz lamurienta de Petra se fazia ouvir do outro lado da linha.
— Alô, Rick?
— Sinto muito, mas ele continua em reunião. É a secretária dele que está falando.
— Se Rick se recusa a falar comigo, prefiro que me diga a verdade, Srta. Peters.
— Imagine! O Sr. Sinclair se recusa a falar com qualquer um, até mesmo comigo. Aliás, caso ele não saia de lá depressa, vai ser obrigado a colocar pessoalmente as cartas no correio.
— Será que ele sabe como se faz? — perguntou Petra, rindo.
— Sem dúvida alguma, ele tem competência para tanto — ironizou Lauren, vagamente surpresa com o comentário da linda, mas avoada Petra, que na certa nunca precisara trabalhar. — Você nem imagina o quanto é cansativo esse serviço...
— Ah! Imagino, sim, e, embora eu não conheça taquigrafia e seja péssima datilógrafa, costumava ajudar meu pai no escritório, quando a secretária dele entrava de férias...
— Pode ficar em meu lugar, quando quiser.
— De modo algum! Eu detestaria trabalhar para Rick. Ele deve ser terrivelmente perfeccionista!
Perfeccionista?!

Amor em Amsterdam

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Como um intruso poderia achar-se no direito de ocupar o quarto de Ivory?

Ivory foi acordada por uma voz rude. Arregalou os olhos e negou-se a acreditar no que viu. 
A seu lado, naquele quarto de hotel em Amsterdam, estava um desconhecido, coberto por um fino lençol!
O que estaria ele fazendo ali? Era sonho ou pesadelo? Envergonhada, tentou esconder os seios com as mãos.
O intruso ordenou-lhe que saísse do quarto dele! Senão cobraria muito caro...
Capítulo Um

— Quem é você, afinal?
O som de uma voz grave arrancou Ivory das profundezas do sono, deixando-a confusa. Quando caíra pesadamente na cama do hotel, na noite anterior, estava tão cansada que adormecera imediatamente, sem pensar em mais nada. As palavras, que acreditara ouvir, deviam fazer parte de um sonho estranho. O melhor era voltar a dormir.
— Poderia me dizer que diabos está fazendo em meu quarto?
A voz soou de novo, levando Ivory, desta vez, a despertar completamente. O choque de ouvir uma voz masculina na privacidade de seu quarto encheu-a de espanto. Voltou-se e seus olhos arregalaram-se de horror e medo, quando percebeu que havia um homem deitado na outra cama, ao lado da sua.
— Quem... Quem é... — balbuciou, mas sua voz saiu num sussurro, enquanto sua mente mal desperta tentava assimilar a figura masculina, de cabelos e olhos escuros, peito nu, que a examinava minuciosamente. Então, consciente de que seus ombros estavam totalmente expostos ao olhar daquele homem, Ivory puxou o lençol para cima.
— O que pensa que está fazendo em meu quarto? — conseguiu dizer e ficou até satisfeita, por notar que o tremor havia desaparecido. Sua atenção dirigia-se, de vez em quando, para o telefone, na tentativa de calcular as chances de chamar por socorro, caso o homem fosse algum maníaco.
Observava-o atentamente, pronta para agir, se ele fizesse menção de atacá-la. Contudo, ele não parecia ter essa intenção. Continuava ali, deitado indolentemente, com os olhos fixos nela.
— Pare de fingir — ele disse friamente, ignorando a pergunta que ela fizera — e conte logo qual é o seu jogo. O que quer que seja, posso lhe garantir que não vai funcionar.
Certa de encontrar-se na companhia de um louco, Ivory procurou disfarçar o medo que a dominava.
— Não sei o que você quer dizer... — começou, porém suas palavras foram interrompidas pelo movimento brusco do homem, ao sentar-se na cama. Tremeu e recuou um pouco, no momento em que o tronco musculoso virou-se em sua direção.
— Pare com isso — ele ordenou asperamente. — Eu não nasci ontem. Se for chantagem o que tem em mente, esqueça.
— Chantagem?! Não sei do que você está falando!
O estranho encarou-a irritado, como se não acreditasse no que ela dizia, mas indeciso sobre o que fazer naquela situação. Ivory, constatando que ele parecia muito preocupado em jogar a culpa sobre ela, resolveu atuar com firmeza.
— Não posso entender suas insinuações! — O tom gelado não era habitual em sua voz, comumente agradável. — Ficaria muito satisfeita se saísse daqui agora, visto que você é o intruso em meu quarto.
Mais uma vez, sentiu-se observada atentamente por aquele olhar escuro, que a avaliava, pesando o pouco que podia ver, já que apenas a sua cabeça, os cabelos desarrumados e seu rosto estavam descobertos. Após alguns segundos, a fisionomia do desconhecido abrandou-se e as palavras que pronunciou saíram menos ásperas, embora terrivelmente chocantes.
— Estava mesmo pensando em me levantar. — Ele moveu-se levemente, pronto para se desfazer do lençol. — Durmo sem roupa, mas tenho certeza de que...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Amor por Conveniência

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Um milhão de dólares por uma noiva…

Ben Carter foi difamado por uma série de matérias publicadas na imprensa. 
E só há uma maneira de salvar o seu mais recente empreendimento, bem como sua reputação: colocando uma aliança no dedo de Julianna Ford. 
Porém, ele não contava que Julianna rejeitaria sua proposta. Mas ninguém recusa Ben Carter! 
Então, quando Julianna leiloa um beijo para caridade, Ben aproveita a chance para conquistá-la… pelo valor de um milhão de dólares! 
Ele pode ter pago uma fortuna por um beijo, mas pretende ter muito mais!

Capítulo Um

De costas para a janela do escritório com vista para o centro de Manhattan e diante da qual ele costumava parar para apreciar seus enormes guindastes espalhados pela cidade, Ben mantinha os braços cruzados em uma postura defensiva.
— Creio que isso é tudo.
Sentiu vontade de perguntar a ela se não queria saber a cor da cueca que ele estava usando.
A mulher sentada do outro lado da sua mesa observou secamente:
— Você não gosta de responder perguntas pessoais, não é?
Ele deu um sorriso forçado.
— O que lhe deu esta impressão?
Elizabeth Young, a casamenteira, sacudiu os ombros e digitou algo no tablet.
— O fato de você parecer querer pular pela janela.
Ben fez uma careta e retornou à sua mesa. A cada pergunta feita por ela, desde a inofensiva “Onde gosta de passar as férias?” até as mais irritantes, como “O que você espera de um relacionamento?”, ele se distanciava mais um pouco. Por mais que reconhecesse a necessidade de arranjar uma esposa conveniente, cruzar o abismo que havia entre aventuras sem compromisso com lindas mulheres e uma relação estável lhe causava calafrios.
Depois de ter testemunhado a destruição do casamento dos pais, que desmoronou como um castelo de cartas ao primeiro sinal de problemas, Ben nunca alimentou ilusões sobre o matrimônio.
A casamenteira tinha razão: se ele pudesse, teria pulado pela janela.
Enquanto praguejava intimamente, ele se sentou. De quem havia sido aquela ideia? Xander Trakas. Lembrando-se da reação do jovem grego, quando Mancini lhe perguntou se aquela mulher seria uma de suas ex-namoradas, Ben analisou a esbelta e elegante loura sentada do outro lado da mesa.
O cabelo, aparentemente ondulado, estava preso em um coque. Casualmente vestida, mas elegante, usava uma calça clássica, uma blusa e uma jaqueta justa de couro macio. Exalava estilo e sofisticação, e, ele precisava admitir, discrição e profissionalismo. Xander estava certo.
Enquanto ela o encarava, Ben notou que seus olhos tinham um inusitado tom de âmbar e analisou a reação que ela lhe causava. Nada. Ele concluiu que isto era bom: a última coisa de que precisava era se envolver com alguém que realmente desejasse. Isso o fez lembrar do motivo pelo qual ela estava ali.
— Então, agora que você já desencavou cada detalhe da minha alma, quem escolheria como minha parceira ideal?
Ele viu o cinismo passar pelos olhos dela, enquanto ela sorria.
— Ah, não se preocupe — disse Elizabeth. — Eu não tenho ilusões. Sei que você só me disse o que queria. Conheço homens como você, Sr. Carter. É por isso que sou boa no que faço.
Ben dominou o impulso de perguntar o que ela queria dizer com homens como ele. Se isso fosse ajudá-lo a obter o que precisava para sobreviver àquela crise, não importava. Ele apoiou o queixo nas mãos e admirou o fato de ela não se deixar intimidar por ele, como tantos faziam.
— Você me foi recomendada por Xander Trakas. E, de repente, ela perdeu a pose, assim como Xander há uma semana, no clube.
— Eu tenho vários contatos. Ele é um deles. Ben percebeu ter tocado em um ponto sensível e ficou intrigado, mas não perdeu o foco.
— Esqueça o que eu disse. Então, você tem alguém em mente?
Ela depositou o tablet sobre a mesa e o empurrou na sua direção.
— Existem algumas possibilidades. Dê uma olhada e veja se alguém o agrada.
Ben pegou o tablet e deslizou a tela, vendo fotos e dados de lindas mulheres evidentemente bem-sucedidas. Uma advogada de direitos humanos, uma presidente de uma empresa de software, uma tradutora da ONU, uma supermodelo…

A um Passo do Prazer

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Nem o tempo conseguiu apagar paixão tão violenta!

Nua, bela, feliz, Andréa dorme em frente à lareira. Jefferson a admira, fascinado. 
Quanto tempo esperou por isso? Semanas? Anos? Ou a vida inteira?
Andréa saía do passado e entrava de novo em sua vida... como uma sereia, com seu canto irresistível. Mas falso.
Há dez anos, ela o abandonou e quase o enlouqueceu de saudade. Agora volta... Por quê? Para fazê-lo feliz ou transformar outra vez sua vida num inferno.


Capítulo Um

Jefferson Harmon abriu a porta e saiu, deixando para trás o edifício revestido de mármore do tribunal. Olhou os raios de sol refletidos nas vidraças e sentiu no rosto a brisa quente e úmida que vinha do Pacífico. 
Respirou fundo e uma sensação de alívio o dominou ao pensar que ali, naquele instante, encerrava-se o capítulo mais difícil de sua vida. Finalmente estava livre de Lara.
No entanto, o alívio deu lugar ao aborrecimento quando ele viu o batalhão de repórteres que o aguardava junto à escada do imponente edifício. Não teve dúvidas de que a responsável por aquilo era Lara, que com certeza avisara a imprensa só para provocá-lo. Afinal, ela sabia o quanto Jefferson odiava ver sua vida particular devassada, exposta ao público.
Mas ele tinha experiência em contornar situações difíceis. Não fizera outra coisa naqueles anos todos. Lara e a política o haviam ensinado a lidar com todo tipo de problema.
Com o sorriso e a autoconfiança de sempre, ele ajeitou os cabelos loiros e desceu os degraus. Apenas aqueles que o conheciam muito bem poderiam notar a raiva escondida nos olhos castanhos.
Reprimindo a vontade de afrouxar a gravata de seda, Jefferson dirigiu-se a um repórter que conhecia desde os tempos de político atuante.
— Olá, John, como vai?
Todos os outros se aproximaram.
— Sr. Harmon? — O repórter corpulento e de meia-idade a quem Jefferson cumprimentou fez a primeira pergunta: — É verdade que o senhor e Lara estão se divorciando?
Jefferson procurou sorrir ao responder.
— É verdade, John.
Melhor confirmar, pois isso evitaria que continuassem a fazer perguntas pessoais. Com um aceno, abriu caminho em direção ao carro, esperando que o deixassem em paz.
Mas as perguntas continuaram e não lhe era possível evitá-las.
— E quanto à custódia de sua filha, Megan? Quem ficará com a garota? — quis saber uma jovem de voz estridente.
A menção do nome da filha deixou-o tenso e irritado. Mas era necessário se controlar.
— Ainda não decidimos — respondeu, com um sorriso, para a repórter, que o observava fixamente.
Amaldiçoou Lara, que na certa estaria no tribunal, olhando pela janela e se divertindo com aquela cena.
Jefferson tentou mais uma vez chegar ao luxuoso carro prateado estacionado junto a uma palmeira, poucos metros adiante.
— Mas, governador!

Megan

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Laços de Família
Em seu coração, o que era só esperança se transforma na certeza de um grande amor!

Após doze longos anos, quando uma tragédia fez seu casamento desmoronar, Megan recebe um inesperado presente do destino: a chance de recuperar a felicidade! 

Mas ela precisa convencer Noah Carson, seu ex-marido, de que ainda podem resgatar a impetuosa paixão que eles viveram no passado...




Capítulo Um

Seu filho estava de volta. Megan caiu de joelhos e passou os braços ao redor do corpo, tentando absorver o choque e conter a onda de excitação que a fazia tremer incontrolavelmente. Ousara alimentar aquela esperança tantas vezes desde que Derek havia sido sequestrado, doze anos atrás. E todas as vezes suas esperanças haviam sido destroçadas.
Ela fechou os olhos por um instante, atordoada. Derek estava vivo. As palavras inacreditáveis ressoavam em sua mente como um mantra enquanto mantinha os olhos fixos num ponto qualquer do tapete já gasto, o mesmo que enfeitava a sala há sete anos, quando se mudara para o pequeno apartamento numa rua sossegada de Omaha, no Estado de Nebraska.
— Meu bebê — A voz, estrangulada de emoção, não passava de um sussurro inaudível. — Meu bebê está vivo? — Megan aguardou pelo pranto, mas seus olhos permaneceram secos. Não lhe tinha sobrado nem uma lágrima sequer depois do desespero eterno em que vivera.
— Querida? Você está bem? Responda-me, por favor.
A voz de Helene parecia vir de muito longe. Somente então Megan se deu conta de que havia deixado cair o fone. Com mãos trêmulas, tornou a pegá-lo.
— Estou aqui, mamãe. Estou bem. Eu... é difícil...
— Eu sei. Ele... ele simplesmente apareceu na soleira de nossa porta. Foi... foi um choque tremendo — Helene murmurou.
— Como? — Perguntas curtas. Pelos menos era capaz de as formular enquanto lutava para trazer os batimentos cardíacos de volta ao normal.
— Seu filho ainda não nos contou muita coisa. Está exausto e faminto. Parece que atravessou metade do país de carona, do norte de Michigan até aqui. Também tenho a impressão de que não quer falar sobre o assunto. Seu pai acha melhor não o pressionarmos, não agora. Ele... ele disse que se lembrava de nosso endereço... que se lembrava de quando o ensinei... — Helene fez uma pausa, se esforçando para controlar a emoção antes de continuar. — Era o que aconteceu naquela tarde. Você se recorda, não? Logo antes de sairmos para o shopping center. Derek fazia desenhos na areia com um graveto. Tinha apenas quatro anos e era tão esperto, tão inteligente... Eu... eu estava lhe ensinando nosso endereço. Caso algum dia se perdesse... Oh, Deus...
Meu nome é Derek Noah Carson. Moro em Paraíso do Mar, Estrada de Gulfview, Hurricane Beach, Flórida.
Megan levaria para a sepultura a angústia causada pela lembrança da vozinha infantil. Em sua mente, revivera cada momento dos últimos dias passados com Derek vezes e vezes sem conta. Noah estivera ausente, numa de suas missões das forças especiais, em local desconhecido. Assim, aproveitara para visitar os pais em Hurricane Beach. Há muito aprendera a não perguntar ao marido para onde iria. Ele não tinha permissão para lhe dizer. Sempre odiara a profissão de Noah, mas o amava profundamente e quisera estar bonita para esperá-lo.
Por isso resolvera ir ao shopping center de Tallahassee, comprar um vestido novo. Helene e Derek a acompanharam.
— Vá ficar com a vovó — ela dissera ao filho, quando o menino começara a se mostrar inquieto, reclamando de fome e cansaço. Helene estava logo adiante, dentro da loja espaçosa. Quem teria imaginado que o perderiam para sempre, se Derek não saíra de perto de ambas? A dor e a culpa, sentimentos que lhe eram tão familiares, voltaram a atormentá-la. Deveria ter sido mais cuidadosa.
Dera as costas ao filho por um segundo e, num piscar de olhos, ele desaparecera. Não fora encontrado com Helene. Nem no departamento de brinquedos, ou na lanchonete. Simplesmente sumira. Até hoje.
— Derek. — Megan não percebeu que falara o nome do filho em voz alta até que a mãe retrucou.
— Ele não quer ser chamado de Derek. Diz que devemos tratá-lo por Erik agora. E...



Série Laços de Família
1- Amy 
2- Lisa 
3- Megan 

Lisa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Laços de Família
Esquecida durante muito tempo, as chamas de uma antiga paixão renascem das cinzas do passado!

Depois de quinze anos, Lisa está de volta à Flórida. 

Mais madura, mais segura de si, mais linda. Longe da família, ela conseguira esquecer as marcas que o passado deixara. Mas, de repente, sua serenidade é abalada: ao reencontrar Matt Connell, Lisa se dá conta de que ainda se sente irremediavelmente atraída pelo antigo namorado, o homem de seus pesadelos... e de seus sonhos!


Capítulo Um

Era ele... os mesmos olhos azuis, os cabelos pretos jogados para trás em ligeiro desalinho, como se a brisa do golfo os tivesse soprado de sua fronte. Embora não o visse havia quinze anos, quando a deixara, aquele era Matt Connell, sem sombra de dúvida.
Lisa escondeu-se detrás de um mostruário de revistas na Drogaria Thompson. Sentiu um estranho aperto no peito e teve que respirar fundo para se recobrar.
Sua reação era absurda, disse a si mesma, censurando-se. Não era mais uma adolescente insegura de dezesseis anos. Tinha trinta e um anos agora. Era uma mulher com sua própria vida, sua carreira... seu namorado. 
Tentou evocar uma imagem de Patrick para aplacar o súbito nervosismo, do bonito e bem-humorado Patrick, esperando por sua volta na pousada. Mas, de algum modo, a imagem desvaneceu-se. E tudo o que Lisa pôde lembrar foi de um verão intenso, todos aqueles anos antes, quando fitara pela primeira vez os profundos olhos azuis de Matt e soubera que faria qualquer coisa para continuar olhando para ele.
Agora, com esforço, Lisa apanhou uma revista ao acaso do mostruário.
Folheou-a automaticamente, fingindo estar absorta. Estava se escondendo na farmácia de sua cidade natal... e, nesse meio tempo, o primeiro amor de sua vida, Matt Connell, estava no corredor ao lado. 
De repente, sentiu-se tentada a uma retirada discreta. Ou podia continuar detrás das revistas até que tivesse absoluta certeza de que Matt saíra. Em outras palavras, podia continuar se escondendo.
Virou-se, olhando pela vidraça. A vista era algo que sempre persistira em seus sonhos: á calçada estendendo-se pela orla da praia, as areias brancas cintilando sob o sol, o azul-esverdeado das águas do golfo, a cúpula em estilo antigo do clube da marina erguendo-se no horizonte. E o cais para além... que não se avistava dali, mas Lisa conhecia bem. Fora onde Matt a beijara pela primeira vez, numa mágica noite de verão.
Ela apanhou outra revista e seguiu pelo corredor. Iria comprar o que fora buscar. Resolveria seus assuntos como uma pessoa adulta e racional e esqueceria Matt Connell. Afinal, conseguira esquecê-lo uma vez antes. Recusou-se a olhar ao redor enquanto prosseguia, eliminando a possibilidade de que pudesse vê-lo de relance outra vez. 
Encontrou um determinado tipo de medicamento e verificou as opções disponíveis. Em geral, não era indecisa, mas até aquela simples escolha pareceu-lhe complexa no momento. Leu um rótulo e, depois, o outro, porém nenhuma palavra pareceu fazer sentido. Podia sentir a presença de Matt no pequeno estabelecimento, mesmo que não o estivesse vendo. Era quase como se o ar úmido de verão tivesse ficado carregado com uma espécie de alerta para ela.
— Bobagem — murmurou. Apanhou uma caixa de remédios depressa, mal notando a marca na embalagem, e entrou por outro corredor. E lá estava ele, parado de lado, logo à sua frente... Matt Connell, seu perfil aparentando um ar circunspecto, destoante do jeito despreocupado que ela conhecera tão bem. Despreocupado... aquela fora uma das descrições perfeitas para ele na época. Lisa fora quem se importara demais, quem se envolvera além do que teria sido sensato.
Bem, certamente Matt não era mais um rapaz de dezoito anos. Era um homem de trinta e três agora. E a passagem do tempo lhe fora bastante favorável. Seus traços pareciam mais másculos e marcantes. Sim, tinha uma expressão fechada... como se não estivesse mais acostumado a sorrir com frequência. 
Os cabelos pretos continuavam fartos e lustrosos, mas a maneira como os penteava para trás era diferente, dando-lhe ao rosto uma nova seriedade. Havia uma certa rigidez em sua postura, como se estivesse absorto nos próprios pensamentos. Era evidente que ainda não a notara, o que daria a ela mais uma oportunidade de escapar.
Chegou a dar um passo atrás. Foi, então, que Matt se virou e a viu. Franziu as sobrancelhas espessas enquanto a estudava, parecendo um tanto intrigado. E, com uma estranha ponta de irritação, Lisa percebeu que não a reconhecia. Matt Connell, a pessoa que uma vez tivera o poder de fazer seu mundo desmoronar, nem sequer sabia quem ela era.
Ainda havia chance de sair. Poderia fingir que não o conhecia. Mas algum orgulho inconsequente a impediu. Na verdade, aproximou-se ainda mais pelo corredor.
— Olá, Matt


Série Laços de Família
1- Amy 
2- Lisa 
3- Megan 

Amy

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Laços de Família

Uma grande festa, o emocionante reencontro entre três irmãs...e muitas surpresas à vista!

Amy Hardaway finalmente conseguiu convencer suas irmãs Lisa e Megan a voltarem à Flórida para a comemoração das bodas de ouro dos pais. 
Unidas e solidárias no passado, as três irmãs agora vivem em cidades diferentes, mantendo um relacionamento apenas superficial. 
Romântica, Amy está disposta a tudo para recuperar a profunda amizade que um dia as uniu e que se perdeu com o tempo. Só existe um problema: Jon Costas, o ex-marido de Lisa, também está na cidade. E Amy não sabe se vai conseguir esconder da família a indestrutível paixão que sente por ele!

Capítulo Um

A Queda dos poderosos era pura realidade
No dia anterior, Jon Costas estivera envolvido até o pescoço com os tubarões de Wall Street. Na manhã daquele dia, estava mergulhado até os cotovelos na farinha. E a escolha fora sua. Bem, mais ou menos.
— Não tenho certeza se sou bom para...
O protesto pareceu perder a importância no instante em que thea Aurélia lhe lançou o olhar. Jon sempre se sentira intimidado sob o olhar da tia desde quando, aos seis anos, fora apanhado tirando biscoitos koulourakia de um jarro de vidro exposto sobre o balcão. E desde que na companhia do primo Jimmy, havia substituído toda a canela da padaria por uma areia escura. Fora seu tio Nikos quem os tinha pego em flagrante, porém, fora Aurélia e sua mãe, Leda, quem lhes lançara o olhar.
Matriarcas gregas eram mestras do olhar e costumavam usá-lo de maneira bastante efetiva para manter seus homens na linha, enquanto perpetuavam o mito de que eram os machos quem estavam no comando. Pelo menos era essa a teoria de Jon.
— Ok, ok — ele concordou. — Já está na hora de eu aprender.
O olhar suavizou e thea Aurélia sorriu.
— Esse sim, é meu menino.
Imaginando o que seus colegas investidores de Wall Street pensariam se pudessem vê-lo agora, Jon meteu as mãos no vasilhame enorme, onde os ingredientes para a receita de pão haviam sido colocados, e pôs-se a amassá-los. Thea Aurélia sorriu satisfeita. Theo Nikos sorriu também, tendo o cuidado de não desviar a atenção dos temperos que estava preparando para serem usados durante todo o dia.
— Trabalhar a massa feito você é algo que aquele seu irmão inútil nunca conseguiu aprender — Aurélia o incentivou, mantendo-se firme na fiscalização da temperatura do forno enquanto retirava algumas assadeiras da máquina de lavar louças. — Mostre-lhe o que é amassar de verdade.
Aquilo não era muito difícil. De fato, fora Nick quem, com suas atitudes irresponsáveis, acabara trazendo-o de volta à Flórida, ainda que temporariamente. Interessante mesmo seria "amassar" o irmão e lhe ensinar uma ou duas coisinhas...
Não que estivesse se sentindo muito feliz em Nova York. A vida como sócio minoritário de uma pequena, embora respeitada, corretora era estressante e Wall Street uma selva. Tivera momentos em que pensara em mandar tudo pelos ares e dar as costas àquele centro financeiro sem olhar para trás. Especialmente em momentos como o dia em que Malika rompera o noivado, acusando-o de não se interessar por nada, além das altas e baixas da bolsa de Nova York. Talvez a rejeição não o tivesse incomodado tanto se não houvesse acontecido dois anos depois de Katrina ter lhe devolvido o mesmo anel, acompanhado de palavras quase exatamente idênticas.
Às vezes se perguntava se as duas mulheres não tinham se conhecido em algum lugar.
Talvez, mas apenas se também houvessem se encontrado com Lisa no meio do caminho. Afinal, as reclamações de Lisa eram bastante similares quando se decidiram pelo divórcio, uma eternidade atrás.
Quem sabe se, aos trinta e cinco anos, já não era hora de abandonar Wall Street. Fora o que dissera a Bailey Bookman, o outro sócio minoritário e seu companheiro mais frequente nas andanças pelas noites solitárias de Nova York.
Bailey, que havia engordado sete quilos desde que se tornara sócio da corretora e vivia às voltas com medicamentos para pressão alta, o brindara com um olhar cético.
— O que o incomoda é o rompimento do noivado, não é?
— Não. Bem...


Série Laços de Família
1- Amy 
2- Lisa 
3- Megan 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Série Irmãos Conti

1- O Santo e a Sedutora
ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O Santo e a Sedutora

Conhecido como o Santo Conti, Leandro sabe que o ousado encontro que teve com a bela Alex Sharpe é seu segredo indiscreto.

 Após a morte de sua esposa, ele se proibiu de se envolver com outra mulher, mas Alex continua sendo uma irresistível tentação. Leandro se arrepende do modo como a tratou no passado, mas agora que ela ressurgiu em sua vida, e com sua filha, ele irá atrás do que lhe pertence!



Capítulo Um

— Seu braço ainda está doendo, mamãe?
Alex ajeitou a colcha ao redor de Isabella e deu um beijo na testa dela.
— Um pouco, docinho — disse ela, optando pela verdade.
Ela só tinha 6 anos, mas de alguma forma, Izzie sempre sabia quando Alex estava mentindo. Ou talvez fosse aquele olhar acinzentado penetrante e profundo com o qual ela nunca soubera lidar.
— Mas daqui a algumas semanas, eu vou tirar o gesso, e a tia Jessie disse que já estou sarando.
Dedinhos gordos traçaram o corte de um pouco mais de 1 centímetro de largura que ia da têmpora esquerda até o olho, dividindo a sobrancelha dela onde um pedaço de vidro havia perfurado a pele. Aquela cicatriz, diferente da fratura das costelas e do braço, era superficial, apesar de parecer ser muito pior do que era.
— Isso me assusta, mamãe — Izzie sussurrou baixinho.
Lágrimas fecharam a garganta de Alex, mas ela resolutamente as engoliu.
— Você sempre foi uma garotinha muito corajosa, docinho.
O queixo pequeno tremeu.
— Sim, mas não nos dias em que você ficou no hospital e eu aqui, sozinha. A vovó não me falou quando você ia voltar.
Curvando-se sobre a cama diminuta, Alex abraçou com força seu montinho de alegria.
— Ela é feia, mas dói menos do que parece. Estou perfeitamente bem, viu?
Quando Izzie assentiu, Alex a abraçou de novo, sentindo a tensão dissipar-se do corpo da garotinha.
Mas o medo permaneceu, um gosto amargo no fundo da garganta, sugando calor de suas próprias veias.
O caminhão de dezesseis rodas que batera em cheio na lateral do Sedã compacto o transformara em uma massa de metal. Foi um milagre ela sobreviver, dissera o médico, mais ainda sem danos permanentes.
Mas tudo que Alex conseguia pensar era na realidade alternativa...
Ela podia ter perdido a vida.
E Izzie poderia estar...
Como uma nuvem esperando para engoli-la, ela sentiu o ar esvair-se dela, o impacto violento do air bag, dos ossos sendo esmagados e da pontada excruciante de dor em seu braço, chegando até os dedos...
O gosto ácido de medo na boca...
Suas mãos tremeram, e sua pele ficou molhada de suor.
Ela enterrou o rosto nos cabelos de Izzie e respirou fundo.
Como sempre, o doce cheiro da garotinha a ancorou no agora, afastando os dedos fantasmagóricos do pânico... Porém, ela sabia que ele não ia demorar para voltar.
Qualquer coisa poderia acioná-lo, percebeu ela, lembrando-se do quase episódio em uma loja naquela mesma manhã, quando a porta se fechou com um estrondo.
Ela não podia continuar assim, debilitada pelo medo.
Ela precisava controlar esse medo por Izzie. Precisava fazer alguma coisa para não ser paralisada, algo que cuidasse do bebê dela independentemente do que o futuro lhe reservasse.
E instantaneamente a mente dela voltou-se para ele.
O homem cujo cabelo tinha um tom azulado de tão negro. O homem que havia dado a Izzie aqueles olhos cinza incrivelmente claros e os cabelos negros lisos e fartos, diferente do loiro acobreado dos cachos de Alex. O homem que se recusava a vê-la novamente. Ou a falar com ela. Ou a responder um mero telefonema, sete anos atrás.
Mesmo naquele segundo antes de perder a consciência, ela pensou nele. Na violência desesperada, ainda que muda, da paixão enquanto ele a beijava naquela noite, na sensação dele dentro dela, na forma como ele a levara até os limites de um prazer tão intenso que ela achou que iria se fragmentar em milhões de pedaços...
Uma lembrança puxava a outra...
O olhar de desprezo nos olhos dele depois, quando ela se agarrou a ele como uma videira; o olhar cheio de luxúria dele lentamente se focara nela, e um grito rascante de agonia escapara da boca dele... A forma como ele se retirou de dentro dela apressadamente, como ele arrumou as roupas dela de forma fria e quase clínica, a maneira como ele evitou olhar para ela enquanto a levava de carro até o hotel onde Valentina e ela estavam hospedadas em Milão...
A maneira como ele havia dito que nunca mais queria vê-la... 



2- O Diabólico e a Inocente
Se Sophia Rossi realmente pretende salvar os negócios de seu pai, o único caminho é casando com Luca Conti. 

Ele já partiu seu coração antes, mas desta vez é Sophia quem está no comando. 
Durante anos, Luca cultivou a reputação de ser o Diabólico Conti para afirmar a maldade que acha que herdou de seu pai. Por isso, o astuto magnata consegue enxergar algum benefício na proposta de Sophia... Ele pode não estar feliz em tê-la como noiva... mas está adorando a oportunidade de tê-la em sua cama!
Capítulo Um

Sophia Rossi decidiu, com crescente desespero, que seu instinto animal acabaria gerando uma derrota. O desespero causou uma pontada pungente. Na certa, entranhava-se em seus poros e exalava sinais aos curiosos e complacentes, traindo seu pânico. Nunca pertencera à rica sociedade milanesa frequentada pela mãe e pelo padrasto. Quando se casara com a mãe da menina de 13 anos, Salvatore a adotara. Fato que a sociedade nunca lhe permitira esquecer.
De certa forma, havia superado o fim do noivado com Leandro Conti.
Porém, a última fofoca, sobre o suposto caso com seu melhor amigo, Kairos Constantinou, o marido da irmã de Leandro, transformara-a em foco de comentários maliciosos. Se soubesse, teria recusado o convite de Leandro para a festa de aniversário do irmão, Luca. Ele a convidara apenas por culpa, por ter rompido o noivado.
Os dedos apertaram a frágil taça de champanhe. Abriu um sorriso indiferente ao caminhar pela larga e curvilínea varanda da Villa de Conti.
O casamento não era fruto de paixão; fora convencida de que era um dever para com a família e não uma alegria.
Apesar de todo o esforço, arruinara o mais importante objetivo de sua vida: apoiar o padrasto Salvatore a reconstruir a Rossi Couros até seus meios-irmãos terem idade suficiente para assumir a empresa.
Antonio Conti, o patriarca da família Conti, aproximou-se no exato instante em que Sophia mais uma vez era consumida pela culpa. Manteve o sorriso falso no rosto.
Fios prateados misturavam-se aos pretos. Antonio parecia um lobo: astuto, ardiloso e pronto para atacar presas inocentes.
— Então, conte-me, Sophia — disse, encurralando-a perto de uma pilastra branca, de quem foi a ideia do seu casamento com meu neto?
Engolindo a surpresa, Sophia encarou-o. Ninguém deveria supor de quem partira a ideia.
— Nosso noivado é irrelevante, agora que Leandro está casado.
— Seu padrasto é ambicioso, mas não inteligente — continuou, como se Sophia tivesse permanecido muda. — É trabalhador, mas sem visão de futuro. Mesmo sabendo do meu desespero para encontrar uma noiva para os meus netos, nunca lhe passaria pela cabeça oferecer você.
— Ele não valoriza as mulheres — declarou, as palavras curtas e cruéis, mas verdadeiras.
Já fazia uma década que Sophia tentava convencer Sal do quanto poderia contribuir para a empresa, sem sucesso. Ele lhe destinava projetos pequenos, recusando-se a ouvir seus planos para a Rossi Couros.
Só pensava no legado a deixar aos filhos, Bruno e Carlo.
— Foi minha — admitiu. O que tinha a perder? 


Série Irmãos Conti
1- O Santo e a Sedutora
2- O Diabólico e a Inocente

Tentação em Hollywood

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Joe Michaels, um homem que faz enlouquecer.

O peito largo e musculoso daquele desconhecido de olhos verdes pressiona Elaine contra a parede. 
Ela vira o rosto, mas não consegue fugir dos lábios que se apoderam dos seus com fúria selvagem.
Pouco a pouco, a resistência de Elaine vai diminuindo: entreabre os lábios e corresponde apaixonadamente ao beijo.
“Você é tão linda!”, ele sussurra. “Não! Por favor...”, ela suplica, embora seu corpo inteiro agora anseie pelo corpo viril daquele homem fascinante...

Capítulo Um

O ar frio da noite roçava as faces de Elaine, trazendo consigo os variados odores da cidade, lembrando-a das outras vezes que estivera em Nova York com os pais. Os anos haviam passado, mas a metrópole continuava a exercer o mesmo fascínio sobre ela.
Deu um profundo suspiro, atravessou o cruzamento conhecido como Confucius Square e caminhou na direção da Brooklyn Bridge. 
Acabara de deleitar-se com uma refeição no Hung Loo's, um dos melhores restaurantes de Chinatown, e sentia necessidade de caminhar, não apenas para fazer a digestão, mas também para refletir. 
Talvez um pequeno passeio a pé a ajudasse a colocar as ideias em ordem. Nunca se sentira tão confusa antes.
As ruas estavam movimentadas, mas não o suficiente para dificultar a passagem de Elaine. Assim, pouco depois, ela já estava bem próxima da Brooklyn Bridge, um dos mais famosos símbolos de Nova York. 
Ao alcançar a entrada da ponte, percebeu que a passagem mais procurada pelos turistas já estava às escuras. 
Consultou o relógio de pulso e verificou, surpresa, que era bem mais tarde do que havia imaginado. Evitou aquela área e dirigiu-se para o caminho cimentado, que os pedestres costumavam utilizar para atravessar a ponte histórica.
Não tinha intenção de passar para o outro lado do rio; pretendia apenas chegar até o meio da ponte e admirar a vista.
Àquela hora, a calçada estava deserta, mas o movimento de carros ainda era intenso.
Quando alcançou o ponto desejado, Elaine parou e apoiou-se na amurada. Diante de seus olhos descortinava-se o indescritível horizonte de Manhattan. 
Uma profusão de luzes multicoloridas, vindas de edifícios que a cada ano aproximavam-se mais do céu, piscava ao longe. 
A exuberância do cenário era a própria definição da cidade de Nova York. Que outra metrópole no mundo ofereceria um espetáculo tão majestoso, tão imponente quanto o que ela apreciava naquele momento?
Estava mais frio na ponte do que nas ruas, e Elaine envolveu-se melhor no suéter de lã. 
Aos poucos, as luzes foram perdendo o brilho aos olhos dela, e as preocupações voltaram a ocupar-lhe a mente.
Havia chegado a Nova York há pouco mais de quatro horas. Instalara-se no InterContinental, dera alguns telefonemas urgentes e, quando o estômago havia começado a reclamar por comida, tomara um táxi até Chinatown.
Desde que se formara pela U.C.L.A., Elaine trabalhava para os Estúdios Trion como assistente de produção, participando ativamente da realização de nada menos do que cinco filmes. Mas, há três dias, tudo havia mudado.
Em seu escritório, no estúdio, Elaine havia atendido ao telefone e, em seguida, dera um profundo suspiro. A secretária de David Leaser, o presidente dos Estúdios Trion, comunicara-lhe que o patrão desejava vê-la com urgência.
Apreensiva, Elaine perguntou-se se aquele chamado teria alguma coisa a ver com o último filme de que participara. Mas, na noite anterior, ela assistira à versão editada e tudo lhe parecera em ordem. Não, com certeza o assunto era outro.

Esmeraldas na Noite

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Para os olhos verdes de Courtney, só havia uma luz: Joshua Knight

Que delícia o contato desse corpo másculo! 
Courtney adora sentir Joshua colado nela, a rijeza de seus músculos, sua virilidade...
E é sem inibições que ela aceita o beijo correspondendo na mesma intensidade mordiscando, deixando os corpos se tocarem, ávidos, atrevidos.
Mas seus lindos olhos verdes se enchem de lágrimas. 
Courtney não pode se dar ao luxo de amar, de ser feliz: ela está ficando cega! As trevas são seu destino...

Capítulo Um

O ruído de pneus sobre o cascalho da alameda, lá fora, chamou a atenção de Courtney Wilson. Com seus vinte e cinco anos e tendo perdido a visão quase por completo, ela aprendera a confiar nos ouvidos e tato para se orientar.
Pouco depois ouviu o bater de portas de carro e tentou concentrar-se de novo no pedaço de papel sobre a sua escrivaninha, em que Elizabeth escrevera algo com letras enormes e vermelhas. Com dificuldade distinguiu um nome, Meryl Knight, e uma idade, treze anos. 
A garota era bem mais velha do que a maioria dos outros alunos da escola, mas Courtney admitia de boa vontade qualquer menina, rica ou pobre, mais moça ou mais velha, desde que fosse cega ou tivesse graves problemas de visão e precisasse de instrução especial. 
Essa sempre fora a sua filosofia, desde que empregara o dinheiro de sua herança fundando o Lar Wilson para deficientes visuais.
Courtney crescera tendo que lutar muito para se instruir num mundo em que a visão é tudo. Aceitara o fato de que sua vida seria diferente, mas, por outro lado, tinha consciência de que precisava se instruir e que tinha direito a isso. Completara o curso de licenciatura já sem poder ler. 
Não adiantavam mais óculos nem lentes de aumento. Depois usara o dinheiro da herança para comprar aquela bela mansão antiga, nas colinas da Pensilvânia, onde estabelecera seu lar e sua escola. Tinha sido mais uma necessidade do que um sonho. Precisava trabalhar, ganhar a vida para se sustentar, e recusara-se a ficar dependendo para o resto da vida do pai. 
Como as escolas públicas e particulares não admitiam professoras cegas, não tivera alternativa senão fundar sua própria escola.
De repente, gritos soaram na entrada, interrompendo o devaneio de Courtney e ela se recriminou intimamente. No seu dia-a-dia não havia tempo para divagações, ainda mais num sábado. Largou a folha de papel, segurou na borda da escrivaninha e ergueu-se com relativa agilidade, considerando-se sua dificuldade de enxergar.
Aquela gritaria só podia significar que a garota não estava gostando de ter sido levada para ali.
Cautelosa, Courtney passou pelo corredor o mais depressa que pôde. Conseguia distinguir vagamente três pessoas à luz do sol: dois adultos e uma criança. Aproximou-se e viu que eram duas mulheres: Elizabeth... e quem mais? A menina continuava a gritar. Pelo registro de Courtney, Meryl Knight era filha única de um rico homem de negócios que morava em Valley Forge. A mãe morrera num acidente de carro quando Meryl ainda era bem pequena, e a menina fora criada só pelo pai. No relatório não havia referência a um outro casamento, portanto, quem seria aquela outra mulher?
Era costume, aliás Courtney fazia questão, que os pais ficassem para a refeição na escola, no primeiro dia de aula, a fim de conhecerem as outras crianças, Elizabeth, e ela própria. Havia também vários encontros entre os pais e Courtney antes da admissão, e, como isso não acontecera no caso de Meryl, Courtney imaginara, erroneamente, que o pai iria levá-la à escola.
Elizabeth e a outra mulher estavam tentando acalmar a menina. Meryl chutava, gritava, esperneava e mordia, querendo soltar-se para correr porta afora, Courtney fechou a porta e aproximou-se estendendo a mão para Meryl, mas teve que conter um grito de dor com a mordida que levou. Afastou a mão depressa e esfregou o lugar dolorido.
— Já chega com isso! 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Preciosa Promessa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Uma proposta surpreendente…

A tia de Don Xavier del Rio deixou metade de sua herança para a governanta, a órfã inglesa Rosie Clifton, mas ele está determinado a recuperar o que é seu por direito. 
Por isso, Xavier vê na surpreendente proposta de casamento de Rosie a oportunidade de conseguir o que deseja... inclusive tê-la em sua cama! 
Rosie fará o que for preciso para cumprir sua promessa de proteger Isla del Rey. Mas será que está disposta a aceitar as exigências de seu charmoso noivo?
Capítulo Um

— Esta praia é particular!
Rosie teve de levantar a voz para ser ouvida pelo grandalhão de aspecto bruto que segurava a âncora do barco. Ele ficou paralisado, e isso lhe deu a certeza de que a ouvira, mas por algum motivo o homem decidiu ignorá-la. Ela agitou os braços, mas nem isso causou qualquer impacto.
— Malditos invasores. — A senhora de idade que era patroa Rosie, Doña Anna, teria dito isso a qualquer marinheiro que ousasse lançar âncora perto de sua ilha particular. — Vocês não podem fazer nada aqui. Esta ilha é minha, é particular! — De pé, em pose beligerante, com as mãos pousadas firmemente na cintura, Doña Anna continuaria tentando espantar seus visitantes, embora Rosie nunca os tenha enxergado como pessoas que poderiam lhe fazer qualquer mal, já que tudo o que queriam era desfrutar das águas cristalinas e da praia de areia dourada por pouco mais de uma hora. Mas Doña Anna não sossegava até que a escutassem e abandonassem suas lindas águas.
Rosie ficou tensa quando o homem olhou para ela. Com pouco mais de cinquenta metros separando os dois, o olhar penetrante do invasor a atingia como uma flecha.
Seu corpo reagiu da maneira mais louca, ficando mais calmo e mais agitado enquanto a força daquela personalidade masculina a invadia. O efeito era tão poderoso que os dois pareciam estar lado a lado.
Em segundos, ela tomou uma posição de combate. Sua mente ficou afiada. E a única coisa que a mantinha minimamente centrada era a mesma calma e pureza de alma pelas quais era conhecida desde os tempos de orfanato. Ela não teve um bom começo de vida, mas não se comportava como vítima... e nunca se comportaria.
E uma promessa é uma promessa, jurou Rosie para si mesma. E sua promessa feita à Doña Anna, de que manteria a ilha a salvo, era sagrada. Por conta disso, por mais que o homem fosse intimidador, até que soubesse o que ele queria, o intruso não conseguiria avançar terra adentro.
No entanto, o tal homem parecia ter outras ideias na cabeça...
O coração de Rosie foi a mil quando percebeu que ele se preparava para mergulhar nas águas. Manter aquela ilha a salvo custaria algo mais que apenas suas boas intenções, pensou. Ele era duas vezes maior do que ela, além de parecer um gladiador de tão robusto.
E ele mergulhou, causando um impacto mínimo na superfície da água. Ao surgir novamente, estava quase na areia da praia. Havia algo rude e duro nele, algo que parecia capaz de roubar a confiança de Rosie, deixando-a apreensiva. As pessoas que trabalham em iates costumam usar uniformes com seus nomes bordados. Ele, porém, não carregava qualquer identificação. Estava nu da cintura para cima e deveria ter uns 30 e poucos anos. Seja lá como fosse, era um pouco mais velho do que ela.
Rosie tinha quase 30 anos. Ela nem se lembrava muito da sua data de nascimento. Aliás, não havia registro formal disso. 

Um incêndio no orfanato destruíra todas as evidências de sua história logo após ter sido acolhida. Sua experiência de vida era limitada ao mundo estranho e isolado daquela instituição, e depois se resumira à vida numa pequena ilha ao sul da Espanha.

O Segredo atrás do Véu

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
“Você pode beijar a noiva.”

Com essas palavras, Mikolas Petrides selaria um importante acordo e finalmente retribuiria tudo o que o seu avô fizera por ele na infância.
Mas, quando ergue o véu de sua noiva, não é a mulher que esperava! Viveka Brice faria qualquer coisa para proteger sua irmã mais nova, até casar-se com um estranho.
Porém, ao ser descoberta, ela foge... mas não poderá se esconder por muito tempo. 
Mikolas sempre consegue o que deseja. 
E por ter destruído seus planos, Viveka terá que recompensá-lo... tornando-se sua amante!

Capítulo Um

O sol da tarde brilhava diretamente através das janelas, cegando Viveka Brice enquanto caminhava pelo corredor que levava ao altar da cerimônia de casamento. 
Ela estava ali para impedir que o evento acontecesse — não que alguém soubesse disso naquele momento.
O interior do iate clube, situado em uma ilha remota e exclusiva do mar Egeu, era todo feito de mármore e metal, criando uma profusão de superfícies que refletiam a luz branca. 
Com a luz e as muitas camadas de seu véu, ela mal conseguia enxergar e vinha, relutantemente, apoiando-se no braço de seu ultrajante padrasto.
Ele provavelmente não conseguia enxergar muito mais do que Viveka. De outro modo, teria gritado com ela por arruinar seu plano. Ele certamente não tinha notado que ela não era Trina.
Viveka estava conseguindo esconder o fato de que sua irmã tinha deixado o clube. Isso fazia seu coração apertar-se de nervosismo e tremer de excitação.
Ela semicerrou os olhos, tentando focalizar o olhar além dos convidados e padrinhos alinhados em frente ao sacerdote paramentado. Deliberadamente evitou olhar para a forma alta e imponente do noivo desavisado, fixando-se assim na floresta de mastros que oscilavam na água do outro lado das janelas. 
Sua irmã estava livre daquele casamento arranjado com um estranho, lembrou a si mesma, tentando acalmar seu coração disparado.
Quarenta minutos antes, Trina tinha recebido o pai no quarto onde estava se vestindo. Ela ainda usava este mesmo vestido, mas não tinha colocado o véu. Prometera a Grigor que não se atrasaria enquanto Viveka permanecia escondida. Grigor não sabia que Viveka estava de volta à ilha.
No instante em que ele deixara o quarto, Viveka tinha ajudado Trina a tirar o vestido e a irmã a ajudara a vesti-lo. Elas se abraçaram forte e então Trina desaparecera por um elevador de serviço, rumo ao hidroavião que seu verdadeiro amor havia fretado.
Eles estavam indo para uma das ilhas grandes ao norte, onde tudo estava preparado para que se casassem assim que o avião aterrissasse. 
Viveka estava ganhando mais tempo para eles, impedindo que alguém suspeitasse de alguma coisa, fazendo com que a cerimônia continuasse por tanto tempo quanto possível antes de se revelar e fugir também.
Fitou o horizonte novamente, procurando pela bandeira do barco que tinha contratado. Era impossível localizá-la, e isso a deixava mais ansiosa do que a ideia de entrar naquela embarcação em perfeito estado de conservação.
Viveka odiava barcos, mas não pertencia à classe de pessoas que podia alugar helicópteros particulares para levá-la para cima e para baixo.
Dera uma parte razoável de suas economias para Stephanos, para ajudá-lo a levar Trina embora naquele pequeno avião. Gastar o resto para cruzar o Egeu de lancha era quase o seu pior pesadelo, mas a balsa que a trouxera para a ilha naquela manhã só fazia uma viagem por dia.
Viveka sabia em qual rampa o barco estava atracado. Pagara ao capitão para esperar por ela e Stephanos tinha assegurado que podia deixar suas malas a bordo. Quando fosse descoberta, não precisaria sequer trocar de roupa.
Correria para aquele barco miserável, cerraria os dentes e velejaria em direção ao pôr do sol, feliz por ter finalmente levado a melhor sobre Grigor.