quinta-feira, 19 de abril de 2018

Víbora do Arcanjo

ROMANCE SOBRENATURAL
Série G.Hunters
Uma vez uma garota quebrada conhecida como Sorrow, Holly Chang agora rasteja o subterrâneo cinzento sombrio da cidade para os anjos. 

Mas não são seus aliados alados que a tornam uma mulher procurada - é o poder desconhecido percorrendo suas veias. Violentada por um arcanjo insano, ela ficou com a sede de sangue de um vampiro, a capacidade de hipnotizar sua presa e uma mordida venenosa.
Agora alguém colocou uma recompensa por sua cabeça...
Venom é um dos Sete, guarda particular do Arcanjo Raphael, ele é tão irritante quanto sedutor. Um vampiro de séculos de idade, suas presas liberam um veneno mais mortal que o de Holly. Mas mesmo que Venom possa proteger Holly daqueles que a caçam, ele pode não ser capaz de se salvar - porque o poder estranho e violento dentro de Holly está despertando...
Ninguém está seguro.

Capítulo Um

Holly abraçou sua irmã, dizendo adeus uma última vez, seu coração doendo. — Psiu, — ela disse quando Mia hesitou na entrada da faixa de segurança. — Vai se atrasar para seu voo, se não for. Mia afundou os dentes em seu lábio inferior volumoso, os cabelos pretos no queixo brilhando sob a lâmpada fluorescente dentro do prédio do terminal. — Já sinto falta de casa. — Ficará bem. — Embora Holly sentisse muitas saudades de sua irmã mais velha – e melhor amiga – ela pegou o rosto de Mia em suas mãos, encontrando os olhos tão castanhos quanto os dela anteriormente, e disse: — Você é a pessoa mais inteligente que já conheci. Vai tirar isso de letra. — Sua irmã recém-formada médica recebeu uma residência de prestígio no Massachusetts General, em Boston. — Estarei tão longe de todos. Holly não indicou que a nova base de operação de sua irmã estava a poucas horas de carro de Nova York, até menos na velocidade que Holly gostava de dirigir. Sabia o que era saudades de casa. Se sentiu assim na vibrante cidade que sua família chamaria de casa quando se isolou deles por vários longos meses após o ataque que a transformou num ser que não era humano, mas que não era vampiro também. Felizmente, ela superou essa estupidez – e sua família a amava o suficiente para perdoá-la. Claro, sua mãe a lembrava todas as vezes que podia, mas estava dentro da normalidade. Daphne Chang também lembrava a Holly do dia em que ela fugiu de casa aos dezessete anos só para ligar pedindo ajuda depois que seu encontro idiota a abandonou numa rua escura no Queens. Holly ainda precisava esconder alguns segredos de seus pais, seus irmãos mais novos e Mia, mas esses segredos eram para a proteção deles: os mortais não precisavam saber sobre um arcanjo nascido no sangue. No que diz respeito aos pais e irmãos de Holly, foi um mortal perturbado que sequestrou seus amigos e ela, e quem a infectou com um vírus perigoso. Um anjo a salvou, tentando transformá-la em vampiro, mas a transição não ocorreu bem devido ao vírus no sangue dela. Não tinham motivos para não acreditar na história.

Consequência do Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
“Você possui uma nova mensagem...”

Catalina nunca tinha saído da linha, até ser arrebatada por uma proposta irresistível: uma noite cheia de paixão com o bilionário francês Nathaniel Giroud. Ela só não sabia que quebrar as regras iria mudar sua vida para sempre. Agora, escondida nas montanhas dos Pirineus, Catalina está determinada a proteger a pequena vida que cresce dentro de si do tormento de uma infância cheia de ordens e rigidez, como a sua própria. Mesmo que para isso ela tenha que desafiar o marido a quem deseja tão desesperadamente!

Capítulo Um

— Você acertou ao desmanchar o noivado — murmurou Nathaniel Giroud, olhando para a pista de dança onde o príncipe Helios e sua esposa rodopiavam harmoniosamente. — Helios não iria fazê-la feliz.
A princesa Catalina Fernandez bebeu calmamente um gole de champanhe. Sua mão tremia levemente.
— Como pode ter certeza?
— Não havia química. — Ele fez uma pausa antes de completar: — Não como a que existe entre nós.
Ela se inclinou para frente e empurrou a cadeira para longe da mesa, deixando um rastro de perfume suave e estimulante .
— Nós não vamos discutir sobre isso. O que você está sugerindo é impossível.
Antes que ela se levantasse, ele a segurou pela mão.
— Por quê?
— Você sabe por quê. — Ela puxou a mão e o encarou. — Eu estou me guardando para o meu marido. Minha pureza será um presente para ele.
— Um presente? — A ideia era tão ridícula que ele quase riu, mas o assunto não tinha graça. Nathaniel pensou no irmão de Catalina, herdeiro do trono de Monte Cleure, que, com a concordância do pai, tinha casos por toda a Europa, entregando-se aos prazeres proibidos à irmã apenas por ela ter nascido mulher.
Por mais que a imprensa oficial tivesse enfeitado a notícia, Catalina fora chutada por Helios, e agora corriam boatos de que ela fora prometida em casamento a um velho duque sueco. Nathaniel não sentia escrúpulos em seduzi-la. Catalina o queria. Ele sabia. E ela também sabia.
— Então, você não passa de uma propriedade? — Ele viu que ela ficou confusa. — É isso que está dizendo? Que não é dona do seu próprio corpo? Que não passa de um receptáculo para a próxima geração?
— Não é assim. Sou uma princesa. A minha vida é essa. Foi para isso que eu nasci.
— Você também é uma mulher.
Ele se inclinou e roçou o braço no dela, querendo convencê-la.
A princesa Catalina era um espécime raro de mulher. Além de ter classe e dignidade, era extremamente bonita. Portava-se com serenidade. Olhar para ela era como ver um quadro ganhar vida. Alta, com cabelo negro e olhos cor de chocolate derretido, ela possuía a pele clara e imaculada como alabastro. Naquele dia, usava um vestido cor de pêssego que ia até os joelhos e realçava seus seios e sua cintura fina, sem exibir um centímetro a mais do que o necessário de carne. O cabelo preso em um coque no topo da cabeça colaborava para lembrar a sofisticação dos anos 1960. Era um estilo que só ela poderia usar.
Parecia não ter defeitos.
Mas, claro que todos têm defeitos, e ele ansiava por descobrir os dela.
Como o pai dela, rei de Monte Cleure, ignorara acintosamente o casamento de Helios, e seu irmão desaparecera de vista com a última namorada, Nathaniel sabia que aquela seria a sua última chance com Catalina.
— Sua primeira vez deveria ser especial. Deveria ser com um homem que a valorizasse, não com algum aristocrata frio que estivesse cumprindo um dever.
— Eu sou uma aristocrata — falou ela, com a voz tão trêmula quanto o tremor que ele percebia em seu corpo.
— Ah, mas você é diferente. Por baixo da aparência fria, seu sangue ferve como lava.
Ao ver que o duque sueco se aproximava da mesa, Nathaniel levantou bruscamente.
— O seu pretenso noivo está vindo para cá. Desconfio que vai tirá-la para dançar.
Ela olhou na direção do duque.
— Ele não é meu noivo. — Catalina suspirou. — Não ainda.
— Então, não há nada que a impeça de dançar comigo. — Nathaniel estendeu a mão para ela.
Catalina engoliu em seco.
— O meu irmão me disse para ficar longe de você.
Ele apostava que sim.
— Você sempre faz o que o seu irmão manda?
— Faço.
— E você sempre quer fazer o que é mandado?
Ela sacudiu a cabeça quase imperceptivelmente. O duque estava a alguns passos de distância. De repente, ela segurou a mão que Nathaniel lhe estendia e se levantou graciosamente.
— Uma dança.
— Se você insiste — falou ele, inclinando a cabeça.
— Tem que ser apenas uma. Eu preciso zelar pela minha reputação. Há espiões em todos os lugares.
Para ele, bastava uma dança. Sem lhe dar tempo para mudar de ideia, Nathaniel levou-a para a pista de dança e deixou o duque olhando para as costas dos dois e coçando a cabeça calva.
Assim que encontrou um espaço, Nathaniel segurou a mão dela, puxou-a e passou o outro braço por sua cintura, apoiando a mão em suas costas nuas. Sua pele era macia e sedosa.
Catalina se encaixava perfeitamente em seus braços.
Os saltos lhe davam mais altura, e ela podia apoiar a cabeça perfeitamente na curva do pescoço dele, e seus sentidos se aguçavam ao sentir o perfume do cabelo dela.
Ele apertou-a contra o corpo, de modo que ela pudesse sentir as batidas aceleradas do seu coração.
— Relaxe — disse ele, acariciando-lhe as costas. — Eu não mordo.

Apaixonada Para Sempre

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Não fazia sentido...

Para Ellie a qualidade mais importante em um homem era a fidelidade. Devasso como era, Daniel Thackery realmente não poderia fazer parte de sua vida. Mas era preciso lhe dar corda, pois, embora só quisesse se divertir, ele sabia do paradeiro do marido de sua irmã. Sua persistente recusa, entretanto, parecia encorajá-lo a convencê-la a fazer parte de seu harém. Até que tanta insistência levou Ellie a somar dois mais dois. E deu cinco!

Capítulo Um

Incrível. Como ela conseguira se meter em tal enrascada?
A situação lembrava aquelas comédias baratas exibidas na tevê anos atrás. Sua irmã Beth as adorava. Ellie, porém, só admirava o sincronismo com que atores e atrizes sumiam através de armários pouco antes de o outro artista entrar em cena. Aquilo sim era admirável. Inteligente, embora não fosse divertido.
Isso também não era nada divertido.
Principalmente porque agora quem acabara de sumir dentro do armário era ela.
Bem a tempo. Porque Ellie podia até ouvir o ruído de passos quando o hóspede do apartamento entrou.
Claro que ela podia tê-lo enfrentado com toda a desfaçatez. Agora, escondida naquele armário, já se arrependia de tê-lo feito. Mas ao ouvir a chave girando na fechadura, incapaz de pensar numa razão plausível para a dona do hotel estar num dos apartamentos às oito da noite. Espremida entre dois ternos caros, agora pensava em como se explicaria se fosse encontrada naquele lugar.
Se pelo menos ela não houvesse entrado em pânico ao ouvir a chave girando na fechadura. E se Daniel Thackery, o ocupante do apartamento, tivesse esquecido algo no bolso de um dos ternos? Pouco antes, ao se registrar, dissera que jantaria no hotel naquela noite, e provavelmente mudara de roupa antes de descer. Só invadira o quarto porque sabia que ele jantaria as oito, e Ellie julgara ser aquela a melhor hora para suas investigações. Péssima escolha! Como a do esconderijo... Sua primeira ideia fora o banheiro, claro, mas lá não havia onde se esconder. E se Daniel resolvesse ir lá?
Ele acabava de entrar no apartamento, Ellie podia ver seus passos por entre as frestas da porta do armário... Sapatos caros, de couro preto, provavelmente feito à mão. Como o terno preto, que ela só podia ver até a cintura, pois o seu ângulo de visão não era dos mais favoráveis.
Não que ela quisesse ver seu rosto. Já vira quando o registrará no hotel. Bonito demais para um homem... E perigoso! Demais para qualquer mulher entre dezesseis e sessenta anos! Ellie concluíra. Olhos azuis, penetrantes, que a examinaram detidamente, sem maior interesse. Nariz aquilino. Boca enér gica, sensual, destacava-se acima do queixo saliente e arro gante. Cabelos escuros, mais compridos do que o normal, pen teados de maneira descuidada.
Mas Ellie sabia que a expressão daquele rosto seria outra se ele abrisse o armário e a encontrasse escondida ali.
Também sabia que não gostaria muito se...
— Acomode-se — ele disse; voz rouca. — Só vou fazer um telefonema. Não demoro.
— Ângela? — uma voz feminina, igualmente rouca, perguntou.
— Ela mesma — Daniel respondeu.
Oh! Meu Deus, então ele não estava sozinho, era tudo o que Ellie conseguia pensar no momento.
— Ela... — a mulher prosseguiu — ficaria furiosa se soubesse que nós estamos juntos aqui.
— Você se importa? — Daniel perguntou.
— Nem um pouco — a mulher respondeu.
Daniel sorriu.
— Achei que não. Como disse, não vou demorar. Por que não pega uma bebida no bar enquanto espera?
— Certo querido — a mulher concordou. — Mas não demore, estou morrendo de fome — acrescentou; tom insinuante.
Bem, pelo menos ainda iam jantar. Por um momento, Ellie achou que escolhera um lugar ainda pior do que supunha. E se Daniel Thackery tivesse trazido aquela mulher ali para... Claro que ela não poderia ficar escondida naquele armário se...
Ele agora estava no fundo do quarto. Fechou a porta, voltou-se, deu alguns passos, sentou na cama, de costas para Ellie.
Se parasse um pouco de tremer, ela poderia avaliar, de forma abstrata, claro, como Daniel Thackery era atraente. Mas no momento usava todas as forças para se manter imóvel, e tudo o que conseguia avaliar era a incômoda presença dele naquele apartamento. Que bom se ele não estivesse por perto.
Principalmente porque ela agora via o que viera procurar: uma pasta, ao lado da mesinha de cabeceira. Tudo o que ela queria saber era se suas suspeitas tinham fundamento.
Beth queria saber o que Daniel Thackery fazia ali por uma razão bem diferente, emocional.
Agora, depois do que acontecera, estava mais que aliviada por não ter sido ela. Embora adorasse a irmã mais nova, Ellie sabia que Beth teria se denunciado. E aí, só Deus sabe o que teria acontecido...

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Nove Meses Para o Perdão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
“Eu sou o novo dono da sua empresa.”

Ódio é tudo que Elle St. James consegue sentir quando olha para o homem que um dia considerou seu irmão. Apollo Savas está determinado a destruir as empresas da família St. James, mas ela terá a última palavra no assunto! Elle está determinada a parar Apollo, mas ele sempre foi sua maior fantasia e fraqueza. Um momento de desejo roubado irá obrigá-los a lidar com um futuro inesperado: Elle e Apollo estarão para sempre ligados pelo bebê que ela espera. Agora, será que nove meses podem ser o suficiente para que eles superem o passado e se entreguem ao amor?

Capítulo Um

Às vezes, Elle St. James se imaginava pegando uma caneta e fincando-a no peito de Apollo Savas. Não para matá-lo, evidentemente. Ele não tinha coração e, portanto, o ferimento não teria sido fatal. Apenas para feri-lo.
Ainda assim, outras vezes fantasiava atravessar a sala de reuniões, desfazer o nó da gravata, abrir-lhe a frente da camisa e percorrer a pele quente, sentindo todos aqueles músculos firmes sob suas mãos. Finalmente. Após nove longos anos resistindo a ele, resistindo ao calor que a consumia a cada vez que se encontravam.
Isso era bem mais desconcertante do que a ideia de espetá-lo.
Também era frequente demais.
Estavam sentados numa reunião apinhada e ela deveria estar prestando atenção. Mas tudo em que conseguia pensar era no que lhe faria se tivesse cinco minutos a sós com ele, detrás de uma porta fechada.
Ou seria violenta, ou estaria nua.
Ele estava falando sobre orçamentos e cortes. E ela odiava aquelas palavras. Significavam que teriam de reduzir sua equipe outra vez. Como vinha sendo a história dos doze meses anteriores desde que ele comprara a empresa do pai dela. Uma empresa que era uma sociedade holding que estivera à beira da falência.
Apenas mais um momento numa longa sequência em que Apollo a prejudicara. Finalmente, o pai fora obrigado a lhe dar responsabilidade. Desde que o enteado finalmente provara ser uma víbora no ninho.
Ela fora nomeada como CEO. Então, Apollo atacara como um martelo.
Era culpa dele. Ao menos em parte. E nada a convenceria do contrário.
Ela tinha um plano. Um plano que ele parecia determinado a rebater a cada oportunidade. Ela sabia que podia salvar a Matte sem todas aquelas mudanças na equipe, mas ele não lhe daria a chance.
Porque, como sempre fizera, ele estava tornando seu intento prejudicá-la. Provar que era melhor mesmo agora.
Mas isso não impediu que seus olhos lhe seguissem as mãos enquanto ele gesticulava amplamente, que se perguntasse qual a sensação de ter aquelas mãos na sua pele.
Podia escrever o que sabia sobre sexo num guardanapo. O triste era que seriam apenas duas palavras.
Apollo Savas.
Ele fora sexo para ela desde o instante em que entendera o que a palavra sexo significava. Desde o momento em que entendera por que homens e mulheres eram diferentes e por que isso era algo tão maravilhoso.
O filho de cabelo e olhos escuros da mulher que o seu pai se casara quando Elle tinha 14 anos. Ele fora fascinante. Tão diferente dela. O produto de sua criação numa classe de sociedade com a qual a própria Elle não tivera contato. A mãe dele tinha sido uma empregada antes de seu casamento com o pai de Elle. O choque cultural tinha sido intenso. E bastante interessante.
Era evidente que, desde então, ele se tornara um homem de coração sombrio, que traíra a família dela e a colocara sob seu jugo.
Ainda assim, ela o queria.
O Lobo Mau do mundo dos negócios, acabando com os sonhos das pessoas.
— Não concorda, Srta. St. James?
Elle ergueu os olhos, e quando encontrou os de Apollo, seu coração disparou. A última coisa que precisava era admitir que não prestara atenção no que ele comentara. Preferiria dizer que estava tendo fantasias em que o matava do que a verdade.
— Terá de repetir a pergunta, Sr. Savas. Minha atenção para repetições não é infinita. É a mesma música que vem tocando há meses e não está mais eficaz ou lógica do que estava da última vez.
Ele se levantou com movimentos fluidos. As faíscas em seus olhos deixaram-na ver que pagaria por suas palavras. O pensamento produziu um arrepio na espinha dela. O medo se misturou ao desejo.
— Lamento que me ache entediante. Vou me esforçar para me tornar mais interessante. Conforme vê, eu me referia ao fato de que para ser bem-sucedida, uma empresa deve ser maleável. Bem lubrificada. Cada peça da engrenagem funcionando com capacidade máxima. Peças ineficientes são desnecessárias. Peças defeituosas são desnecessárias. Eu estava tentando ser delicado com a minha metáfora. — Ele começou a caminhar pela extensão ao lado da mesa de reuniões, e conforme ia passando, a espinha dos que estavam sentados enrijecia.
— Talvez eu tivesse prendido a sua atenção um pouco melhor se tivesse simplesmente dito que, se identificar uma porção de sua empresa funcionando com menos do que a capacidade máxima, começarei a ceifar seus funcionários como se fossem relva seca.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Tempestade de Paixão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Um Cowboy e um bebê de surpresa.

Tudo que o ex-fuzileiro Jake Hunter quer é paz e sossego. Para isso, precisa que sua mãe não o incomode mais. Jake não quer comandar o império da família, e vai assinar qualquer documento que sua mãe deseje para isso. Mas quando Cassidy Moore, assistente pessoal da mãe de Jake, chega ao rancho, surge uma atração mútua, que sai de controle durante uma nevasca. Catorze meses depois, Cassie ainda não contou a Jake que eles tiveram um filho. Porém, quando a mãe dele ameaça tomar-lhe o bebê, Cassie corre de volta para Jake em busca de ajuda, capaz de fazer qualquer coisa para ficar com o filho.

Capítulo Um
— Quando Boston vem até Montana, nunca é boa coisa.
Jake Hunter franziu a testa ao fitar o horizonte.
— Você sempre é duro demais com a sua mãe.
Jake virou a cabeça para fitar o homem mais velho postado ao seu lado. Aos 75 anos, Ben Hawkins não era mais tão alto quanto antes. Mas ainda tinha fartos cabelos brancos como a neve, penetrantes olhos azuis e um rosto marcado e bronzeado devido aos anos trabalhando sob o sol.
— E você sempre foi mole demais com ela.
Ben deu de ombros.
— Ela é minha filha.
— É, tem isso. — Jake assentiu. — Bem, se tudo correr como prometido, esta será a última vez que Boston virá até aqui para qualquer coisa que não seja uma visita familiar.
— Eu tenho de perguntar. Tem certeza quanto a isso? — Ben ergueu a gola do seu casaco para proteger o pescoço do frio vento de outono. — Quero dizer, o que você está planejando não pode ser mudado. Está abrindo mão dos direitos do negócio que a sua família construiu.
— Ah, eu tenho certeza. Já era para ter feito isso há muito tempo, Pop. — Jake sacudiu a cabeça. — A Hunter Media não tem nada que eu queira. Jamais teve.
E ele sabia o quanto tal fato irritava a sua mãe. Ela sempre planejara que Jake assumisse a administração da empresa construída pela família do marido. O fato de Jake jamais ter demonstrado interesse, no fundo, nunca fora importante. Elise Hawkins Hunter era a determinação em pessoa.
Ben riu.
— Você sempre foi mais teimoso do que qualquer outra coisa.
— Não é teimosia. — Jake inspirou fundo, se deliciando com a intensa sensação gelada que lhe encheu os pulmões. — Apenas sei o que quero. Sempre soube.
Olhou ao redor, passando os olhos pelo rancho que amava, o lugar que fora seu consolo e sua alegria durante os verões de sua infância… e quando retornara ali, após deixar as forças armadas.
Outubro nas montanhas de Montana era espetacular, como se Deus estivesse montando um espetáculo antes da chegada do inverno. As árvores estavam ficando douradas e avermelhadas. Nuvens escuras cruzavam um céu tão azul que chegava quase a doer os olhos só de olhar. Do curral e do celeiro, vinham os sons de cavalos e dos homens que trabalhavam com eles. Estendendo-se diante da enorme casa que ele construíra, havia o Whitefish Lake. As águas cor de safira eram rodeadas por altos pinheiros que oscilavam ao sabor do vento.
A vista acalmou os lugares sombrios dentro dele, exatamente como fizera da primeira vez em que ele a vira, ainda garoto. Mesmo então, Jake já soubera que ali era o seu lugar. Não em Boston, onde nascera, e onde a família começara e governava uma dinastia. Mas ali na montanha, onde o avô havia estabelecido um meio de vida que seduziu a alma de Jake de um modo como nada mais fora capaz.
— Não — murmurou ele, o olhar fixo no lago abaixo. — Boston não tem nada a me oferecer capaz de competir com este lugar.
— Devo dizer que concordo — comentou Ben. — Todavia, sua mãe jamais sentiu a conexão profunda com a terra que nós dois sentimos.
A simples afirmação fez Jake sorrir. Talvez o amor pela terra pulasse gerações, ele pensou. Aquele rancho estivera na família de Ben por mais de cem anos, sempre cabendo ao filho mais velho manter o legado que os Hawkinses haviam construído desde que o primeiro colono chegou a Montana e se assentou na terra. Até, Jake pensou, a sua mãe.

Herdeiro da Vingança

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O valor da inocência!

O pai de Charity Wyatt roubou o poderoso empresário Rocco Amari, e deixou a filha para arcar com a punição. O preço: uma noite de prazer. Mas Charity não esperava ficar grávida depois desse encontro com Rocco. E para garantir que o seu filho tenha uma infância melhor do que a sua, Charity pede que Rocco a ajude financeiramente. O que ela não contava era que ele tivesse outros planos: Rocco a quer como sua esposa.
Capítulo Um

Você vai me encontrar no The Mark às 13h30. Vai usar o vestido que recebeu essa tarde. Nesta sacola, está a lingerie que deve usar por baixo do vestido. Isso não é negociável. Se você não obedecer às minhas ordens, eu saberei. E você vai ser punida por isso.
Charity Wyatt olhou para a sacola da loja sofisticada sobre a mesa do vestíbulo. Era de um cinza profundo, até sem graça, não fosse por ter na lateral o logo impresso de uma famosa loja de lingerie. Dentro da sacola, papel de seda da mesma cor ocultava um envelope branco com um cartão. Ela sabia disso porque tinha mexido na sacola, aberto o envelope e lido as instruções que trazia, enquanto seu rosto queimava de raiva.
O cartão agora estava novamente na sacola. Charity não queria ler aquilo outra vez. Uma vez tinha sido suficiente.
The Mark era o nome do restaurante onde deveriam se encontrar. Ótimo nome para o lugar de seu primeiro encontro, uma vez que, há seis meses, ele tinha sido exatamente um alvo para o pai dela. E para ela.
Um alvo, a vítima de um golpe. Um alvo que era dono dela agora, que a matinha inteira e completamente à sua mercê. Charity odiava isso. Odiava estar do lado perdedor. Odiava estar em desvantagem.
A princípio, Charity não quisera falar com o pai quando, depois de quase um ano sem contato algum, ele reaparecera em sua vida.
Mais um, Charity. Só mais um.
Apenas mais um golpe e tudo acabaria bem. Quantas vezes tinha ouvido isso? Sempre com aquela piscadela tão conhecida e um sorriso, o encanto que lhe abrira tantas portas ao longo da vida. Oh, como desejava a oportunidade de ser próxima a ele, ser uma parte da vida do pai. Significar tanto para ele, que ele desejasse levá-la consigo para todos os lugares, em vez de ficar horas a fio no sofá da casa da avó se perguntando quando o pai estaria de volta. Em vez de todas aquelas terríveis noites que passara sozinha em um apartamento vazio quando ele saía para “trabalhar”.
Tudo aquilo acabaria assim que ele fizesse a jogada perfeita.
O pai era tão bom em fazer planos mirabolantes. E Charity desejava viver naquele mundo brilhante do qual o pai sempre falava. Onde as coisas eram fáceis. Onde estariam juntos.
Mas sempre havia mais um trabalho.
Toda a vida dela, o pai prometera que haveria arco-íris após as tempestades. Até agora, tudo o que Charity experimentara resumia-se a trovões e relâmpagos. Ela ainda não alcançara o arco-íris, e essa nova aventura não tinha sido exceção.
Dessa vez, ele a havia deixado sozinha, atolada numa poça, com um para-raios nas mãos.
No minuto em que o pai deixara a cidade, Charity sabia que estava metida em sérios problemas. Mas, ainda assim, tinha ficado. Porque não tinha outro lugar para ir. Porque tinha uma vida ali. Alguns amigos. Um emprego. E estava certa de que conseguiria evitar a cadeia. Sempre evitara.
Seis meses de silêncio. Seis meses em que sua vida correra sem sobressaltos. Seis meses para superar a traição do pai. Seis meses para se esquecer de que fizera um inimigo poderoso.
E agora isso.
Essa exigência.
A ordem chegara um dia depois de ele ter feito contato pela primeira vez. Uma chamada de um celular bloqueado.
Charity já ouvira falar sobre ele. Rocco Amari era famoso, o playboy favorito da mídia. Possuía a boa aparência de um modelo, carros impressionantes, namoradas de tirar o fôlego. O pacote completo para conseguir a atenção do público.
Charity o tinha visto em fotografias, mas nunca ouvira sua voz. Até ontem. Até que ele fizesse contato. E se dera conta, no mesmo instante, de que não poderia correr dele, não poderia se esconder.
Não sem recolher tudo o que fosse seu e sumir no meio da noite. Não sem deixar para trás seu apartamento, seu trabalho no restaurante e o pequeno grupo de amigos. Ela precisaria desaparecer, conforme tinha feito na sua infância. Tornar-se invisível. Levando consigo apenas o que coubesse em uma sacola de viagem, para que ela e o pai pudessem fugir rapidamente. E muitas vezes, em meio à correria, antes mesmo que Charity tivesse tempo de entender o que estava acontecendo, o pai a deixava sob os cuidados da avó e ia embora sem olhar para trás.
Não. Não poderia se tornar, mais uma vez, um espectro em meio aos humanos, jamais se permitindo tocar em alguma coisa, jamais se permitindo ser parte de alguma coisa.

Obsessão de Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Depois de tantos anos... a mesma cilada de amor! 

Quando ouviu aquela conversa terrível entre o marido e a secretária, Kelly finalmente entendeu por que Jordan tinha deixado de dormir com ela desde que soubera de sua gravidez. Ele e Angela Divine estavam tendo um caso!
Com lágrimas turvando-lhe a vista, correu, desesperada, querendo sumir dali para sempre. De repente, a dor, lancinante trespassou-a e não viu mais nada. Acordou no hospital, ouvindo alguém lhe dizer que tinha perdido o bebê...
Capítulo Um

Kelly empalideceu quando viu aquele homem alto e arrogante entrar no hotel com uma linda mulher. Tinha de ser loira!, ela pensou. Jordan tinha paixão por loiras. Dezenas delas deviam ter passado pela vida dele nos últimos cinco anos... Pelo menos essa não era Ângela Divine...
Jordan dirigiu-se à recepção do hotel, e Kelly pôde observá-lo sem ser vista. Ele estava agora com trinta e nove anos. Os cabelos brancos que havia em suas têmporas não existiam cinco anos atrás, e as linhas profundas ao longo do nariz e boca tinham se tornado mais acentuadas...
Kelly escondeu-se quando ele e a garota tomaram o elevador. Era inevitável que um dia se encontrassem, porém ela sentia que ainda não estava preparada para isso.
Quando conhecera Jordan, há cinco anos, tinha apenas dezoito anos. Apaixonara-se perdidamente. Seus sonhos de adolescente, porém, acabaram-se logo; no dia em que perdeu o filho, que havia carregado por cinco meses.
As tristes lembranças daqueles momentos ainda permaneciam vívidas em sua mente. Acordara no quarto frio de uma clínica, sem entender por que estava ali.
— Sinto muito, sra. Lord... Mas precisa saber que perdeu o bebê...
— Bebê? Que bebê?
— Durma um pouco, sra. Lord. Quando acordar seu marido estará de volta.
— De volta? Onde ele foi? — Kelly perguntou, sentindo a boca muito seca.
— O sr. Lord precisou ir ao escritório — disse a enfermeira, ajeitando os lençóis,
— Ah, sim, foi ao escritório — Kelly assentiu amargamente. Virou o rosto para que a enfermeira não visse suas lágrimas. — Acho que preciso mesmo dormir um pouco agora.
— A sra. gostaria de tomar alguma coisa para dormir? Deve estar se sentindo fraca...
Kelly sentiu as pálpebras pesadas e uma sonolência incontrolável dominando-a. Sobre que bebê estaria falando aquela mulher?
Quando acordou, os últimos acontecimentos foram lhe voltando à consciência. Sim, tinha perdido seu filho! O filho que havia carregado no ventre durante cinco meses não conseguira sobreviver.
Manteve os olhos fechados como para evitar o contato com a dura realidade. Engoliu um soluço e enterrou o rosto no travesseiro para chorar sua tristeza.
— Kelly — alguém acariciava seu ombro.
— Jordan... Terminou seu trabalho? — perguntou friamente.
Jordan franziu a testa e ela o observou por um instante. Quantos corações ele deveria ter despedaçado antes de se casar com ela, seis meses atrás!
— Kelly... Saí porque você estava dormindo. Não havia nada que eu pudesse fazer por aqui, por isso...
— Claro que não... E você conseguiu resolver seus negócios? — perguntou com uma risada irônica. — É evidente que sim! Que pergunta boba a minha!
— Não estive no "escritório, Kelly. Eu...
Ela tentou sentar na cama, recusando-se a prestar atenção.
— Você poderia chamar alguém para me ajudar?
Jordan debruçou-se sobre ela.
— Eu ajudo você. Segure-se em mim para eu ajustar o encosto.

Desejo Compartilhado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Ele queria o seu filho… a qualquer custo

Claire Douglas, recentemente viúva, descobriu que seu falecido marido não é o pai de sua filha. Devido a uma troca de amostras em uma clínica de fertilidade, Luca Moretti se tornou pai da filha de Claire, mas eles nunca se conheceram. E como chefe de uma família italiana, de jeito nenhum ele vai abandonar sua filha. Luca quer a guarda compartilhada, mas Claire não está disposta a dividir a filha com um completo estranho. Agora, Luca tem trinta dias para convencê-la de que eles podem ser uma verdadeira família.

Capítulo Um

— Não importa, Stuart. Não vou deixar um completo desconhecido tirar a minha filha de mim.
O advogado de Claire Douglas, Stuart Ewing, acariciou-lhe a mão. Ele tinha um jeitão de avô, uma atitude tranquila que não combinava com o fato de que era um tubarão nos tribunais. Ela tinha um bocado de fé e dinheiro investidos no homem, mas isso não significava que, no fundo, não estivesse apavorada.
— Pensaremos em alguma coisa, Claire. Só preciso que mantenha a calma quando entrarmos ali. Não se deixe levar pelas emoções.
Claire amarrou a cara. Manter as emoções sob controle não era exatamente a sua especialidade. Ao longo dos últimos dois anos, fora bombardeada por emoções. Sua vida se transformara em uma montanha-russa a partir do instante em que se descobriu grávida. Após dois anos de fracassados tratamentos de fertilidade, fora a última chance deles. Ela fora às alturas de tanta felicidade, naquele momento.
E a morte do marido em um acidente de carro quando ela estava grávida de cinco meses a levara ao fundo do poço. Ainda mais levando em conta as dolorosas revelações que se seguiram. O nascimento da filha fora a única coisa a tirá-la daquele lugar escuro, dando-lhe uma razão para voltar a ser alegre e viver novamente a sua vida.
Mas ela jamais esperara aquilo. A revelação do engano cometido na clínica de fertilidade mudara toda a sua vida, tornando-a uma milionária, e, ao mesmo tempo, ameaçando a estabilidade de sua pequena família.
— Senhora Douglas? Senhor Ewing? Estão sendo aguardados.
De trás de sua mesa, a recepcionista gesticulou na direção de portas duplas que levavam a uma sala de reuniões.
Ali, Claire presumia, aguardava o homem que estava tentando tirar dela a filha, e o advogado que contratara para ajudá-lo. Ela sentiu o estômago se revirar, ameaçando devolver o café e o pãozinho que forçara garganta abaixo naquela manhã.
— Venha, Claire — disse Stuart, levantando-se da poltrona na sala de espera. — Tudo vai dar certo. Você não vai perder a sua filha.
Claire assentiu, tentando agir com calma e confiança, embora estivesse longe de se sentir assim. Não havia garantia alguma. Estavam marchando para dentro de um aposento onde Edmund Harding os estava aguardando. Ele era o tipo de advogado que todo bilionário em Manhattan tinha na agenda de discagem rápida do telefone. Harding tinha um nível tal de prestígio e influência que, provavelmente, poderia convencer os tribunais a fazer o que quisesse.
Pegando a bolsa, ela se forçou a cerrar as mãos trêmulas e seguiu Stuart para dentro da sala de reuniões.
A sala era elegante e intimidadora, com uma enorme mesa de vidro retangular dividindo-a em duas. Não havia dúvida de que delimitava o espaço no campo deles e no campo dos seus oponentes. Havia confortáveis poltronas de couro ao redor da mesa; contudo, no momento, estavam todas vazias.
O olhar de Claire voltou-se para as enormes janelas que iam do chão ao teto do lado esquerdo da sala. Um homem estava postado diante delas, admirando o Central Park. Ela não conseguia lhe enxergar as feições, apenas o contorno dos ombros largos e a cintura estreita. O homem era alto, e os braços estavam cruzados diante do peito. Irradiava uma energia tão intensa que Claire não pôde deixar de notá-lo imediatamente.
— Ah, sra. Douglas. — Ela escutou uma voz dizendo. — Senhor Ewing. Por favor, sentem-se.

Uma Mentira Conveniente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
A desculpa perfeita…

Violet Drummond não passaria mais uma festa de Natal da empresa solteira. E parece que Cameron McKinnon, um amigo carismático, seria o acompanhante platônico perfeito. Ele tem outros planos para Violet, é claro. Pretende usar a farsa que ela inventou como forma de se livrar do interesse inconveniente da esposa de um cliente. Nenhum deles esperava que os sentimentos fingidos virassem uma atração muito real... Agora, Cameron está disposto a passar dos limites do seu acordo para acomodar o crescente desejo por Violet.

Capítulo Um
Era o convite que Violet vinha temendo há meses. Durante dez anos seguidos, comparecera à festa de Natal do trabalho sem levar um acompanhante. Dez anos! Em todos ele, dizia a si mesma que no ano seguinte seria diferente, só que mais uma vez estava encarando o convite vermelho e prateado com o estômago num sumidouro de desespero. Já era ruim o suficiente lidar com os olhares e comentários de suas colegas que diziam: O quê? Sozinha de novo? Mas a ideia de estar num salão apinhado de gente era o que representava a verdadeira tortura. Com todos aqueles corpos se espremendo a ponto de deixá-la sem ar.
Corpos masculinos.
Corpos muito maiores, mais fortes e mais poderosos que o dela, principalmente quando estavam bêbados...
Violet afastou a lembrança. Ultimamente, quase nunca pensava mais naquela festa. Bem, só de vez em quando. Tinha feito uma espécie de acordo de paz um tanto frágil a respeito do assunto. A culpa diminuíra, ainda que a vergonha persistente não.
Mas ela estava com quase 30 anos e era hora de seguir em frente. Mais do que na hora. O que significava ir à festa de Natal para provar a si mesma que tomara de volta o controle de sua vida.
No entanto, havia a agonia de decidir o que vestir. A festa de Natal de sua empresa de contabilidade era considerada um dos principais eventos do calendário do setor financeiro. Não era só uma reuniãozinha com bebidas e petiscos. Era um baile de gala anual com champanhe fluindo como de uma fonte, pratos de restaurantes estrelados pelo guia Michelin e show com banda ao vivo. Todos os anos havia um tema, e era esperado que todos se empenhassem para demonstrar seu comprometimento para o bom clima no ambiente de trabalho. O tema deste ano era Natal das Estrelas. O que significaria que Violet teria de encontrar algo bem hollywoodiano para vestir. Ela não era muito boa nessa coisa de glamour. Não gostava de chamar a atenção para si. Sequer era boa em festejar.
Violet enfiou o convite entre as páginas de seu livro e suspirou. Até mesmo a multidão que almoçava naquela cafeteria de Londres estava esfregando a solteirice permanente em sua cara. Parecia que todo mundo fazia parte de um casal. Ela era a única sentada sozinha. Havia até mesmo um casal já beirando os 90 anos à mesa junto à janela e de mãos dadas. Aqueles seriam seus pais dali a trinta anos. Ainda com o zumbido mágico entre eles, como desde o primeiro encontro. Assim como seus três irmãos com seus parceiros perfeitos. Construindo suas vidas juntos, tendo filhos e fazendo todas as coisas que ela sonhava fazer.
Vira cada um de seus irmãos se apaixonar. O ativo Fraser primeiro, depois a vigorosa Rose, e por fim, a descontraída Lily. Violet fora a todos os casamentos. E fora madrinha nas três vezes. Três vezes. Gemido. Ela estava sempre na plateia assistindo ao desenvolvimento e florescimento dos romances, mas desejava mesmo era estar no palco.
Por que Violet não conseguia encontrar alguém perfeito?
Será que tinha algum problema? Ela geralmente recebia convites para sair, mas a coisa nunca passava de um encontro ou dois. Sua timidez natural não a deixava evoluir para uma conversa animada e ela não fazia ideia de como flertar... Bem, até fazia depois de tomar algumas doses, mas este era um erro que não iria se repetir. O problema era que os homens andavam tão impacientes ultimamente, ou talvez eles sempre tivessem sido assim. Mas ela não ia dormir com alguém só porque era o esperado... ou porque estava bêbada demais para dizer não. Queria se sentir atraída por um homem e perceber que era recíproco. Sentir o arrepio de desejo por toda a pele ao toque dele. Derreter quando o olhar dele encontrasse o dela. Tremer de prazer quando colasse os lábios aos dela.

O Inocente Perigo de Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Como fugir de uma estranha ralação em que o medo superava o amor?
Uma ligação de amor, além dos limites da realidade...

Uma força estranha obrigava Dana a desenhar, fazendo seus dedos se moverem com agilidade, esboçando traços a lápis sobre a folha branca. Um calafrio a alertou para uma presença a seu lado e a magia se desfez.
David Raymond estava ali, pálido, fitando o desenho, em estado de choque. Aquele esboço não era fruto da imaginação de Dana...Ela havia captado o pensamento de David e transposto tudo para o papel!
Capítulo Um

A lâmina afiada do punhal penetrou na sua carne com uma destreza que a deixou tonta de espanto e de dor. O calor era intenso e a blusa estava colada ao corpo. Aterrorizada olhou para o homem ameaçador que estava diante dela. Ele tinha aspecto de estrangeiro. Era uma pessoa tão estranha quanto a paisagem que a rodeava: um lugar de campos verdes, entremeados com áreas de terra nua e escura, que ela nunca tinha visto antes. Lentamente tombou ao chão, num baque surdo.
Levou a mão à ferida e apertou com força para estancar o sangue. Não queria morrer ali, naquele lugar desconhecido. Mas o líquido vermelho e viscoso continuou escorrendo entre seus dedos e espalhando-se pela terra à volta do seu corpo. Sentiu dor, pânico, desespero e uma determinação inabalável de continuar a viver. Precisava sobreviver, custasse o que custasse.
Percebeu que duas mãos fortes a seguravam, virando seu corpo de lado para avaliar a extensão do ferimento. A vista escureceu e uma pontada de dor, ainda mais forte, a levou à inconsciência. O mundo à sua volta de repente sumiu, ficando só o silêncio total.
Dana debateu-se por algum tempo, antes de acordar. O corpo estava molhado de suor sob o lençol fino. Uma brisa balançou as cortinas da janela do quarto e roçou-lhe os cabelos. Ainda sentindo as náuseas provocadas pelo terrível pesadelo, ela respirou fundo, esfregou os olhos e sentou-se na cama.
Era madrugada, a hora mais negra e temível de todas, quando os pesadelos parecem reais, por mais desatinados que sejam, e o desespero é quase impossível de afastar, com dificuldade levantou-se e acendeu a luz. Então ela ergueu a camisola e examinou seu corpo. Aliviada, percebeu que a pele continuava suave e aveludada como sempre, sem qualquer marca ou ferimento.
Com passos vacilantes, caminhou pelo corredor em direção à escada que levava ao andar inferior da casa. Se ao menos conseguisse esquecer, seria tão bom... Se conseguisse ter certeza de que não estava ficando louca, seria melhor ainda.
— É você, Dana? — Ouviu a mãe perguntar, com voz sonolenta e preocupada, lá do seu quarto.
Parou no topo da escada, sem vontade de responder.
— Que foi, meu bem? Teve outro pesadelo?
— Sim, mamãe.
Duas lágrimas teimosas escorreram-lhe pelas faces.
— Mas, não se preocupe, eu estou bem. Vou ler um pouco na sala porque não tenho sono. Durma sossegada, mamãe.
Fazia calor na sala. Tanto quanto no resto da casa. Tudo estava em silêncio, ouvindo-se apenas o lamento das árvores castigadas pelo vento que começava a soprar lá fora. O ranger distante das molas do colchão indicava que sua mãe ainda não havia tornado a adormecer.
— Está bem, querida. Mas acho que seria melhor você consultar logo o Dr. Freeman e ver se ele não lhe dá um remédio para dormir. Essa insónia vai acabar com você.
Dana não prestou atenção ao fim da frase. E nem precisava. Como sempre ela já sabia exatamente o que sua mãe iria dizer.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Uma Chance para a Paixão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Um acordo muito sedutor.

Conall Devlin é um empresário feroz, disposto a tudo para ser bem-sucedido nos negócios. Quando seu mais importante cliente impõe uma cláusula inusitada ao contrato, Devlin não pensa duas vezes antes de aceitar: para fechar o acordo, precisará domar uma certa moça rebelde... 

Amber Carter vive uma vida de festas e frivolidades, mas no fundo se sente perdida e solitária. 
Até que o novo dono do seu apartamento aparece, o belo e sedutor Conall, e lhe oferece uma proposta: para não ser despejada, Amber terá que trabalhar para ele, obedecendo a todos os seus comandos.

Capítulo Um

Pessoalmente, Ela parecia mais perigosa do que bela. Conall enrijeceu a boca. Ela era linda, sim... Mas meio desbotada. Como uma rosa arrancada do ramo para enfeitar a lapela de um sujeito antes de uma noite louca de festas, mas que agora estava murchando e tombando junto ao peito.
Dormindo profundamente, ela estava bem à vontade num sofá de couro branco. Usava camiseta larga, que se moldava aos seios e quadris, terminando a meio caminho das pernas incrivelmente bronzeadas, que pareciam se alongar por uma eternidade. Ao lado dela, havia uma taça de champanhe vazia, o cristal marcado pelos dedos, virado e brilhando sob o sol primaveril. Uma ligeira brisa entrava pelas janelas abertas que davam para a varanda, mas não era suficiente para dispersar a fumaça de cigarro fraca e o cheiro almiscarado de incenso. Conall fez um muxoxo quase imperceptível de desagrado. Clichê após clichê, estavam todos ali: encarnados no corpo magnífico de Amber Carter enquanto ela estava deitada, a cabeça apoiada no próprio braço e o cabelo negro se derramando como tinta sobre a pele dourada.
Se ela fosse um homem, ele a teria sacudido de maneira desdenhosa, mas não. Era uma mulher. Uma mulher em frangalhos e linda de um jeito um tanto distraído, que agora era sua responsabilidade, e por alguma razão, ele não queria tocá-la. Não se atrevia.
Ambrose Carter, aquele desgraçado, pensou Conall maliciosamente, lembrando-se do apelo choroso do velho. Você tem de salvá-la de si mesma, Conall. Alguém precisa mostrar a ela que não dá para continuar assim. E a merda de consciência estúpida que o fizera concordar com aquela barganha maluca.
Conall aguçou a atenção. O apartamento estava em silêncio, mas talvez ele devesse verificar se estava vazio mesmo. Ver se não havia outros corpos esparramados num dos muitos cômodos, os quais poderiam ouvir o que ele estava prestes a dizer à mulher.
Ele foi rondando de quarto em quarto, mas dentre todos os escombros de pizza fria que jaziam em caixas gordurosas e garrafas de champanhe meio vazias, não conseguiu encontrar ninguém. 

Só chegou a parar uma vez: quando abriu a porta de um quarto de hóspedes cheio de livros, roupas e uma bicicleta ergométrica empoeirada. Meio escondida atrás de um sofá de veludo, havia uma pilha de quadros, e Conall aproximou-se deles, o olho de colecionador nato fazendo-o avaliá-los com interesse. 
As telas estavam repletas de ódio em estado bruto, com redemoinhos e borrões de tinta, alguns destacados com um contorno intenso em preto. Ele avaliou as pinturas por um bom tempo, até que se viu obrigado a lembrar que estava ali por um propósito e se afastou das telas, retornando à sala de estar para flagrar Amber Carter deitada exatamente do jeito que havia sido deixada. 
— Acorde — resmungou ele. E, então, quando não houve resposta, chamou mais alto. — Eu disse para acordar. Ela se remexeu. Um braço bronzeado se estendeu para afastar a mecha grossa de cabelo de ébano que lhe obscurecia a maior parte do rosto, oferecendo-lhe uma visão súbita e desimpedida de seu perfil. 
O narizinho bonito e os lábios rosados num beicinho natural. As pestanas eram grossas e se abriram ao mesmo tempo que ela foi virando a cabeça lentamente para olhar para ele, que então percebeu que os olhos dela eram no tom de verde mais surpreendente que ele já tinha visto. 
— O que está acontecendo? — perguntou ela numa voz meio rouca. — E quem diabos é você?







Instantes de Paixão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Dois homens se unem e preparam uma armadilha para Shelby. 

“Como posso desejar a noiva de Kenny?” Kyle sentia-se hipnotizado pela estonteante nudez de Shelby, dourada pelas chamas da lareira.
Surpreendida nua, ela pareceu assustada. Ou seria outra de suas artimanhas, como as que usara para convencer Kenny a pedi-la em casamento?
“Não vou conseguir resistir”, Kyle disse com voz rouca, antes de excitado, puxá-la para a cama.



Capítulo Um 

Shelby tropeçava no manto denso e ofuscante de neve, enquanto os flocos batiam com insistência em o seu rosto entorpecido pelo frio. O moderno blusão preto com capuz não oferecia proteção contra aquele tempo. Kenny havia escrito, avisando que o inverno em Montana era rigoroso, mas ela o imaginara como o da Inglaterra, onde morava. Jamais pensou que, quando Kenny dissera “rigoroso”, queria dizer que o frio era tanto que a neve se transformava em pingentes de gelo antes mesmo de atingir o chão. O blusão acolchoado e o jeans apertado, enfiado dentro de botas de salto alto, eram pouca proteção contra aquela nevasca na qual se viu de repente.
E que nevasca! Shelby nunca havia tido tal experiência. A neve amontoava-se à sua frente, enquanto caía rápida e furiosamente contra seu rosto e corpo. Os dezoito graus abaixo de zero arrancavam-lhe o ar. Não havia sinal de que a tempestade iria parar, e ela teve de lutar para seguir adiante.
Nem tinha ideia de como havia ido parar ali. Só percebeu quando olhou para trás e não viu mais a caminhonete azul de Kenny. Mas ele logo iria encontrá-la, tinha certeza. Parecia estar perambulando há horas, e nem sabia se estava indo na direção certa! Podia até estar andando em círculos.
Começou a pensar no quanto aquelas duas últimas semanas tinham sido diferentes de sua vida na Inglaterra, durante e depois de seu casamento com Gavin. Shelby O’Neal, uma das anfitriãs mais famosas e bem-sucedidas de Londres, vivendo numa fazenda em Montana, e até planejando casar-se com Kenny, um dos proprietários da K&K! Pena que tivesse que conviver com o intragável Kyle Whitney, o primo mais velho e sócio de Kenny na fazenda.
Mas o tempo continuou passando e ela ainda tropeçava pela nevasca. Já estava escurecendo e um pensamento horrível começou a persegui-la: iria morrer naquele deserto gelado! Suas pernas estavam cansadas e tinha de lutar para manter-se andando. Nem sentia mais os dedos dos pés dentro das botas e os flocos que lhe fustigavam o rosto pareciam agulhas ferindo sua pele sensível. Estava perdendo aquela batalha, sabia que não conseguiria vencer a fúria da natureza. Iria morrer sozinha na neve. Simplesmente cairia e morreria de frio, sem ninguém ficar sabendo. Quase histérica, Shelby pensou se alguém sentiria sua falta. Claro que sim, censurou-se. Kenny, por exemplo. Afinal iam se casar em poucas semanas. Mas, então, por que não a encontrava de uma vez, droga?!
Achou-se ridícula naquele desespero todo, mas a própria situação era ridícula! As lágrimas escorriam em seu rosto e ela as enxugava impaciente. Vinte e cinco anos era cedo demais para morrer. Tinha tanto tempo pela frente! Se não fosse inútil, por causa daquele vento infernal, ela gritaria. Gritar! Por que não? Com certeza Kenny não podia enxergá-la, mas havia uma chance, embora mínima, de que a ouvisse.
Quando abriu a boca para pedir ajuda, Shelby logo desistiu. As palavras pareciam ser jogadas de volta, enquanto o vento a carregava com violência. O som de sua voz foi praticamente engolido por ele. Não adiantava gritar; era uma boba em acreditar naquilo. Ninguém poderia achá-la com aquele tempo. Devia estar a milhas de distância do lugar onde Kenny e ela haviam parado e descido da caminhonete para admirar as montanhas cobertas de neve. A paisagem era linda e naquela hora a nevada não estava tão forte.
Mas o que quer que fosse, agora estava cansada demais para se preocupar. Nunca tinha se sentido tão exausta e indefesa em toda sua vida. A única coisa que queria fazer era deitar e dormir até que tudo tivesse acabado. A neve gelada e branca lhe pareceu, de repente, uma imensa cama de nuvens, quente e convidativa, como os braços de um amante...