quarta-feira, 19 de julho de 2017

Coração Intocado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Há segredos que nem o dinheiro pode revelar...

O filho do magnata!
Romeo Brunetti teve de reprimir suas emoções para superar a infância difícil e alcançar o sucesso. Até que, em um momento de rendição, ele se perdeu nos braços da estonteante Maisie O'Connell... E as consequências dessa noite inesquecível mudariam sua vida para sempre. 
Maisie não sabe o que é mais surpreendente: reencontrar o pai de seu filho ou a proposta de casamento que Romeo fizera. 
Ela aceitaria qualquer coisa para proteger o pequeno Gianlucca, mas estaria disposta a entregar seu coração novamente para o enigmático Romeo?

Capítulo Um

A odienta mansão, era como ele se lembrava em seus pesadelos, a fachada fantasmagórica e alaranjada contrastando com as venezianas azuis de mau gosto. A única coisa que não chocava nesse cenário que tinha diante dos olhos era a luz do sol sobre as estátuas grotescas, guardando os portões.
A última lembrança de Romeo Brunetti sobre esse lugar era em meio a uma chuva fria, as roupas esfarrapadas grudadas na pele enquanto se ocultava nas moitas fora dos portões. 
Em parte, rezara para não ser descoberto, mas, por outro lado, esperara que se o descobrissem significaria o fim de todo o sofrimento, da fome, da dor cruciante da rejeição que consumia seu corpo de 13 anos de idade, 24 horas por dia. Naquele tempo, até agradecera pela surra que seu salvador recebera por ousar levá-lo de volta a esse lugar. Porque a surra seria esquecida se pudesse ser recebido outra vez.
Infelizmente, o destino resolvera o contrário.
Ele se escondera nos arbustos, tremendo de frio e quase inconsciente, até que a fome constante o fizera se mover.
Retornando ao momento presente, Romeo fitou as lanças nas mãos das estátuas, recordando o modo como seu pai se gabara de serem feitas de ouro puro.
O homem que, cara a cara, o chamara de bastardo inútil. Logo antes de mandar seu empregado escorraçá-lo e garantir que não voltasse mais. Pouco se importava que os rebentos das prostitutas com quem se divertia nos becos de Palermo vivessem ou morressem, contanto que ele, Agostino Fattore, chefe da principal família de criminosos, não tivesse que ver o rosto daquele menino de novo.
Não, pensou Romeo... Ele não era seu pai.  Aquele homem não merecia esse título. 
Romeo apertou a barra de direção de sua Ferrari e refletiu pela milionésima vez por que se dera ao trabalho de vir àquele lugar. Por que a carta que o deixara furioso e que reduzira a pedacinhos logo após ler o compelira a voltar depois do juramento que fizera a si mesmo vinte anos antes. 
Olhou para a direita, fixando o muro externo da propriedade do falecido Agostino Fattore, que se elevava para o céu, e viu os arbustos dos quais se lembrava tão bem, os ramos folhosos espalhados e que ofereciam uma falsa proteção.
Por um momento insano, Romeo lutou contra a vontade urgente de descer do carro e arrancar aquele arbusto do solo com as mãos nuas, arrancar cada folha e galho para reduzi-los a pó. 
Cerrou os maxilares e, por fim, baixou o vidro, digitando na caixa dos portões o código que ironicamente retivera na memória.
Enquanto os portões se abriam com um rangido, perguntou-se de novo por que fazia aquilo. 
E daí se a carta fizera menção a outra coisa? O que aquele homem que o rejeitara com tanta frieza e crueldade teria a lhe oferecer depois de morto se em vida se recusara a dar? Fazia aquilo porque precisava de respostas.
Precisava saber se o sangue que corria em suas veias teria o poder sufocante de virar sua vida de cabeça para baixo quando menos esperasse.
Perguntou-se se as duas vezes na vida em que perdera o controle a ponto de não reconhecer a si mesmo voltariam a acontecer.
Ninguém além de Romeo se arrependia dos quatro anos que perdera após aquela noite amarga quando estivera ali pela última vez, procurando ser aceito de qualquer maneira.
Mais do que o ódio que sentia pelo homem que lhe dera a vida, odiava os anos que perdera tentando encontrar um substituto para Agostino Fattore.
Fechar seu coração aos 17 anos fora a melhor coisa que fizera na vida.
Então, por que está aqui?

Desejo Inegável

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O retorno da noiva!

Passaram-se sete anos desde que Sierra Rocci abandonou Marco Ferrante na véspera do casamento. 
Agora, ela retorna à Sicília para receber uma herança... e descobre que tudo pertence a seu ex-noivo. 
Marco precisa da ajuda de Sierra para inaugurar seu próximo empreendimento. Depois, irá deixá-la. Ele acreditava que a vingança teria um gosto doce, porém, nada é mais delicioso do que a lembrança dos beijos tímidos de Sierra. 
E não demora para esse poderoso bilionário perceber que tê-la a seu lado não seria suficiente. O que ele realmente deseja é levar Sierra ao altar!

Capítulo Um

Sierra Rocci se casaria no dia seguinte.
Observando o vestido branco sedoso pendurado na porta do guarda-roupa, ela tentou ignorar o frio que sentia na barriga. Estava tomando a atitude certa. Tinha de estar. Não havia outra escolha.
Com uma das mãos pressionada ao peito trêmulo, virou para olhar os jardins escurecidos, além da janela da vila do pai na Via Marinai Alliata, em Palermo. A noite de verão ainda estava quente, sem sequer um sopro de brisa que fizesse farfalhar as folhas dos plátanos, no jardim.
O ar parado tinha um quê de expectante, até mesmo sinistro, e Sierra tentou afastar o nervosismo. Fizera a própria escolha.
Um pouco antes, naquela mesma noite, havia jantado com os pais e Marco Ferranti, o homem com quem iria se casar. A conversa fluíra fácil e o olhar de Marco a percorrera
como uma carícia, uma promessa. Poderia confiar naquele homem, disse a si mesma. Não tinha outra opção. Em menos de vinte e quatro horas prometeria amá-lo, honrá-lo e obedecer-lhe. Colocaria sua vida nas mãos de Marco.
Sierra conhecia o preço alto da obediência e rezava para que ele fosse um homem gentil.
Nos três meses em que namoraram, Marco se revelara um homem terno. E paciente, nunca a punindo ou pressionando. Exceto uma única vez, quando haviam saído para um passeio nos jardins e ele a beijara sob a sombra de um plátano, os lábios firmes, insistentes e surpreendentemente excitantes nos dela.
Sierra experimentou outro frio na barriga que não se assemelhava em nada ao anterior. Estava com 19 anos e fora beijada apenas algumas vezes pelo noivo. 
Não possuía nenhuma experiência em relação ao que acontecia entre um homem e uma mulher no quarto, mas, quando Marco pôs fim à deliciosa ousadia à sombra do plátano, garantira-lhe que seria paciente e gentil na noite de núpcias.
E ela acreditara. Decidira confiar naquele homem. Um ato deliberado, um passo na direção de garantir o próprio futuro e a liberdade. Mas ainda assim... O olhar perdido de Sierra correu os jardins escurecidos, enquanto o nervosismo rastejava em seu íntimo como uma serpente. Conhecia a essência Marco Ferranti?
Quando o avistara pela primeira vez, no pátio do palazzo do pai, reparara quando uma das gatas que rondeavam a cozinha roçara o corpo esquelético nas pernas de Marco. 
Ele se abaixara e acariciara a orelha do bichano, que ronronava de prazer. O pai teria dado um chute no animal e ordenado que seus filhotes fossem afogados.
Testemunhar aquele momento de impensada ternura, quando ele não se dava conta de que alguém o observava, acendeu uma fagulha de esperança no coração de Sierra.
Sabia que seu casamento contava com a bênção do pai. Não era tão ingênua a ponto de não perceber que ele empurrara Marco na direção dela. Mas Sierra também o encorajara. Fizera uma escolha. Na medida do possível, controlara o próprio destino.
Naquela primeira noite, Marco se apresentara a ela e, mais tarde, a convidara para jantar. Ele a cortejara sempre de modo gentil, até mesmo terno. Sierra não o amava. Não tinha interesse algum por aquele sentimento perigoso e ilusório, mas ansiava por escapar da casa do pai, e o casamento com Marco Ferranti seria seu passaporte... Se de fato pudesse confiar nele.

A Sedução de um Conquistador

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Seduzida pelo argentino!

Lulu Lachaille não permitiu que sua fobia a impedisse de estar presente em um dia tão importante para sua melhor amiga. E mesmo que se sentisse sobrecarregada pelo medo, não era esse o motivo de seu coração estar disparado. 

O famoso jogador de polo Alejandro du Crozier odeia casamentos. 
Ele está mais interessado em conhecer a bela madrinha! 
Afinal, a tentação na forma da inocente Lulu é muito forte para ser ignorada. 
E depois de uma noite inesquecível, Alejandro está determinado a mantê-la por perto para sempre!

Capítulo Um

Alejandro a notou no momento do embarque, porque ela era facilmente a coisa mais linda em oferta: uma gota de mel num dia maçante.
Uma garota esbelta, sentada com as pernas longas e delgadas cruzadas na altura joelho, a cabeça inclinada enquanto lia, fazendo o tufo de cachos preto-azulados artisticamente arrumados, curtos atrás e alongados na frente, caírem no rosto. Ela usava roupas extremamente femininas de uma era tenra, de uma forma que ele reconhecia como uma declaração de que ela entendia sobre moda.
Quando ele cruzou o corredor em direção ao seu assento, ela levantou os olhos de seu leitor digital e o encarou. 
Os cachos, descobriu ele, emolduravam feições delicadas. 
Ela era dona de um nariz arrebitado, olhos castanho-escuros imensos e uma boca como um botão de rosa vermelha. Ela arregalou os olhos, mas não havia nada de convidativo na forma como olhava para ele. Na verdade, a olhar dela pousou a uma distância enérgica. Ela o fazia se lembrar de um de seus cavalos na estância, em casa, pisoteando o solo em busca de atenção e então se afastando.
Ele não se importava com timidez — lidava bem com isso.
Mas, claro, o olhar dela oscilou para cima outra vez, com uma pegada diferente, um pouco mais ousado nesse momento, e sua boca farta como uma rosa tremeu com o início de um sorriso.
Ele retribuiu o sorriso — uma inclinação mais sutil dos lábios porque estava meio sem prática no gesto. Ela reagiu corando e baixando os olhos para a tela.
Ele estava gamado.
E mal conseguiu sossegar em seu assento quando ela fez um gesto em busca de assistência de um comissário de bordo. Ele observou, perplexo, os vinte minutos seguintes, enquanto Olhos Castanhos mantinha a tripulação da cabine na ativa com um fluxo constante do que pareciam ser pedidos triviais.
Copos de água, uma almofada, um cobertor...
Foi só quando ela começou a sussurrar furiosamente para a aeromoça, agora incomodada, que os pontos que ela ganhara com ele no quesito beleza voaram pela janela.
— Não, eu não posso sair! — A voz exigente, alta e aguda, apesar do sotaque francês sensual, fez Alejandro abaixar seu tablet.
Quando a aeromoça incomodada veio pelo corredor, ele se inclinou e perguntou qual era o problema.
— Um idoso está encontrando dificuldades para se locomover até o toalete, senhor — explicou ela —, e tínhamos a esperança de conseguir realocá-lo para um assento mais próximo.
Ela não mencionou a intransigente Olhos Castanhos. Mas era difícil não notar.
Alejandro pegou seu casaco e estendeu a mão para o compartimento acima.
— Não há nenhum problema — disse ele, dando um sorriso para a comissária. Ela corou.
Acomodado mais ao fundo do avião, ele reabriu seu tablet, esqueceu a morena e voltou sua atenção para a tela.
Os jornais da manhã não ofereciam muito incentivo sobre seu destino.
A notícia era o casamento de um dos oligarcas mais ricos da Rússia com uma ex-dançarina de espetáculos para adultos, ruiva e espevitada num castelo escocês — e, pelo que Alejandro tinha ouvido do próprio noivo, a imprensa já havia se estabelecido na cidade para conseguir fotos com lentes objetivas dos convidados famosos. Sendo um desses “convidados”.


Pelos caminhos do Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Hannah temia tornar-se dependente do homem que tanto a encantava. 

Na vida de Hannah não havia lugar para o amor, nem para qualquer tipo de envolvimento que a afastasse de sua carreira. Isso até conhecer Silas Jeffreys. 
O que o diferenciava dos outros homens? Hannah se perguntava. 
Por que a simples presença dele a fazia sentir-se frágil, vulnerável? Por que aquele desejo insano a invadia toda vez que o fitava? Hannah, ansiosa, não sabia mais o que fazer e temia ter que abandonar o emprego pelo qual tanto sonhara: Silas era seu patrão!

Capítulo Um

Enquanto terminava de enxugar a louça, a sra. Rosemary Maitland pensava nos filhos. Quatro rapazes e uma moça. Os homens, assim que terminaram a universidade, tinham partido para o exterior em busca de emprego.
Mesmo fazendo um grande esforço era difícil para Rosemary Maitland se conformar com o fato de a filha também ter se dedicado a uma carreira.
Tom Maitland, pastor da paróquia onde viviam, ria muito da esposa e lhe dizia que Hannah, como os irmãos, tinha todo o direito de escolher seu futuro e que a dedicação aos estudos e à carreira eram uma bênção.
Hannah entrou na cozinha e interrompeu os pensamentos da mãe.
Aos vinte e seis anos, alta, esguia, rosto oval e delicado, lábios cheios, olhos castanho-claros, Hannah era linda.
— Já vai, querida? — a mãe lhe perguntou.
Arrumando a bolsa pendurada no ombro, Hannah respondeu: — Sinto muito sair correndo, mamãe, mas tenho de ver Linda, antes de viajar para Londres. Ela está com problemas na Secretaria da Receita Federal e prometi ajudá-la na entrevista de hoje. Você sabe que ela não se dá bem com os números.
Esta era outra qualidade da filha que espantava a sra. Maitland. Enquanto ela e o marido levavam horas para chegar a um resultado com as finanças domésticas, Hannah tinha uma vocação especial para números. Por isso fizera o curso de contabilidade. Hannah era tão respeitada na profissão que muito cedo alcançara o cargo de auditora.
— Dizem que Linda está se saindo bem com a loja. A senhora já foi lá?
— Sim, estive olhando as almofadas bordadas e as tapeçarias. Quase comprei uma... Humm! — suspirou. — Eram um sonho.
O aniversário da mãe estava próximo e, além de uma blusa de lã, Hannah decidiu que também lhe presentearia com uma almofada. Foi interrompida em seus pensamentos por Rosemary, que dizia: — Seu pai não pôde vir despedir-se.
Hannah sorriu, e, por um instante, diante da mãe, a adolescente do sorriso malicioso, pernas longas e cabelos revoltos tomou o lugar da executiva elegante. Hannah usava um conjunto de saia e blazer listrado, cinza-escuro, de linhas severas, uma blusa creme de seda em estilo masculino e sapatos de saltos altos. Estava impecável. Rosemary sentia-se orgulhosa, mesmo assim se preocupava com a filha.
Gostaria de que Hannah deixasse transparecer o temperamento apaixonado que a fizera entrar em choque com os irmãos tantas vezes.
Sem saber que estava sendo objeto dessa análise, Hannah abraçou a mãe e dirigiu-se para o Volvo cinza que acabara de comprar. Entrou no carro, ligou-o e partiu.

Amor Sem Compromisso?

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Ela era muito sensual!

Grey Nichols queria uma amante, não uma esposa. 

Mas depois que conheceu a bela Mariah Stevens, ele não conseguiu mais tirá-la da cabeça... e, para sua felicidade, nem de sua cama! 
Ele estava tão atraído por ela, que até pediu para que morassem juntos...
Ele era muito sedutor!
Mariah Stevens procurava um marido, não um amante. 

Não importava se suas noites com Grey eram tórridas de paixão, ela queria algo mais sério. 
Então. Mariah lhe deu um ultimato: sem casamento, ela partiria. Mas o jogo do amor não aceita parceiros intransigentes...

Capítulo Um

Mariah Stevens caminhava na ponta dos pés pelo quarto pouco iluminado para não despertar o homem que dormia, tranquilo, na imensa cama que se destacava na decoração do aposento claramente masculino.
Ele tinha as pernas longas e musculosas ocultas pelo lençol verde-escuro que deixava todo o resto do belo físico à mostra. O corpo era realmente belo.
Mariah tentou concentrar sua atenção na procura de suas roupas, espalhadas por todos os lados. Nos oito meses de namoro com Grey Nichols vira-o tantas vezes que deveria ter se acostumado, em vez de sentir a mesma poderosa sensação de vertigem a cada encontro. 

Bastava um toque, um leve contato do corpo dele para que seu corpo se incendiasse. Consciente do fato, Grey usava e abusava desse poder para seu deleite.
O luar invadia a intimidade através de uma janela entreaberta, iluminando Mariah enquanto despia a camisa do pijama masculino e apanhava sua combinação para vestir.
Grey espreguiçou vagarosamente, como fazem os felinos, e Mariah não pôde evitar um olhar de admiração. Além de belo, ele era elegante como um tigre e, como tal, majestoso até no despertar. Seu primeiro movimento, ainda semi-adormecido, foi em busca do calor do corpo que deveria estar ao seu lado.
Sua reação ao travesseiro vazio foi o imediato despertar. Os olhos negros muito abertos logo divisaram o vulto de Mariah com indisfarçável prazer.
Ele tinha nos olhos um de seus maiores, senão o maior, atrativo.
Sempre que pensava em Grey, eram os olhos que primeiro lhe vinham à memória. Escuros como puro chocolate, com um ponto de ouro no centro. Traziam magia e sedução capazes de despir uma mulher em um relance, e, naquele exato instante, aqueles olhos pediam para ela voltar para a cama.
Sentiu a pequena peça de seda que a envolvia queimar em sua pele quando disse:
— Bom dia.
— Como assim, bom dia? O que está fazendo?
— Tentando reunir minhas roupas...
Ao terminar a frase, Mariah localizou sua calcinha do outro lado do quarto, e riu sozinha tentando imaginar como fora parar lá.
Com um jeito de menino, Grey rolou na cama e, com o queixo apoiado nas mãos, ponderou em tom de pilhéria:
— Querida, não acha que está muito cedo para procurar sua roupa? Estamos no meio da noite, e você só vai precisar dela amanhã.
— Errou, Grey. Preciso ir embora para casa.
Em um relance, ele olhou para o relógio digital e de novo para ela. Aturdido, argumentou:
— Já passa da meia-noite, por que não dorme aqui?
Mariah respondeu a pergunta de Grey enquanto escovava os cabelos, apressada.
— Não posso, tenho que atender um novo cliente pela manhã.
— Sim, e qual o problema?
— Grey, preciso estar apresentável e não tenho roupas aqui. E, antes que pergunte, não, Jade não pode atendê-lo por mim. Trata-se de um homem de negócios bastante conservador que quer redecorar o escritório.
Mariah e Jade eram irmãs e sócias em um escritório de decoração de interiores. Dividiam o mesmo apartamento e, embora muito unidas, eram completamente diferentes em muitos aspectos. Grey não conseguiu deixar de tecer um comentário a respeito da cunhada.
— Não consigo entender como você pode tê-la como sócia. Jade é muito excêntrica.
— Que maldade, Grey!

Mundo de Sonho

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Ele oferecia o brilho das estrelas, nunca o amor...

Cercado de mulheres apaixonadas, ele padecia de solidão.
As notas vibrantes da sinfonia de Tchaikovsky ainda ecoavam na mente de Tiffany quando ela saiu correndo do teatro, querendo, mais que tudo, manter-se distante de Harlem Barensky. 

O acidente que o afastara do palco não anulara seu carisma nem a sensualidade envolvente que o tornava irresistível.
Tiffany, como tantas outras mulheres, estava apaixonada por Barensky. Mas o que esperar de um homem atormentado que, embora adorado por todos, não sabia amar?

Capítulo Um

Tiffany desceu do táxi e deixou uma nota de cinco libras na mão do motorista.
— Fique com o troco — disse, pensando na sopa de lentilhas que serviria como refeição pelo resto da semana.
Atravessou a rua e correu em direção à entrada da escola de artes.
Na noite anterior comemorara seu vigésimo primeiro aniversário. Sua intenção era ir para a cama cedo e chegar à escola no horário certo, pois os rumores povoavam os corredores.
Quando deixara a casa que dividia com outras colegas, havia poucos minutos, nem prestara atenção às diversas pessoas que ainda dormiam pelo chão e nos sofás. Estudantes de moda, pintura, um ou dois escultores, mas nenhum de sua própria turma. Isso era mais que suficiente para dar credibilidade aos boatos.
Galgou de dois em dois os degraus da escada do prédio e, passando a mão pelos cabelos escuros e encaracolados, não pôde evitar um sorriso ao lembrar da festa.
Pat e Ginny haviam organizado uma verdadeira surpresa! Chegara a casa. Exausta, depois de trabalhar até as nove horas no projeto que executava. Uma festa era a última coisa em que estava pensando quando abriu a porta e entrou na sala escura.
Mas, no instante em que ultrapassou o umbral, um raio de luz caiu sobre ela.
— Feliz aniversário, Tiffany!
— Surpresa, surpresa!
Sorridente, Pat mostrava uma garrafa. Então todos os outros convidados surgiram da outra sala.
Todo mundo estava lá, até mesmo o senhorio. Convidá-Io fora idéia de Ginny, como sempre bastante sensata. Diante da animação de todos, acabou esquecendo os planos anteriores: deitar cedo e pensar no dia seguinte.
Agora corria como uma louca para chegar à sala do pessoal de desenho de teatro, sua turma. Toda a escola sabia dos hábitos noturnos desses alunos, que raramente dormiam antes do amanhecer.
Tiffy imaginava se todos haviam feito o mesmo esforço que ela para chegar à aula tão cedo! Lembrando da voz distante de Ginny anunciando a hora de levantar e recordando a decisão de cochilar mais um pouco, deu uma rápida olhada no relógio de pulso e assustou-se: vinte minutos de atraso!
Normalmente isso não seria um grande problema, pois essa era a principal característica da turma de alunos. Mas aquele dia prometia ser especial.
Os boatos corriam como fogo sobre a palha seca desde que uma das secretárias do diretor comentara que um grupo do National Ballet solicitara uma visita aos estúdios de desenho teatral.
Estariam procurando novos talentos? Ninguém sabia ao certo, mas era suficiente para espalhar a excitação pelos corredores.
Mais tarde os rumores foram confirmados por um bilhete da diretoria aos professores, cuja mensagem chegara aos estudantes da seguinte forma: "Seja pontual e brilhante. Você pode atrair a atenção de alguém".
Dois alunos já possuíam empregos razoáveis, um deles com uma companhia de teatro pouco conhecida e o outro num canal de televisão do sul de Londres. Tiffany estava à procura de algo parecido e jamais tivera muito interesse pelo balé.
Mas um emprego era um emprego.
E logo todos estariam fora da escola, com o diploma na mão, o portfólio debaixo do braço e a perspectiva de uma interminável ronda pelos estúdios em busca de trabalho.
Parou e hesitou. As portas duplas que davam acesso ao estúdio estavam fechadas. Na ponta dos pés, espiou pela janela de vidro e notou a presença de alguns estranhos.
Já estavam lá dentro!

sábado, 15 de julho de 2017

A Prometida Desafiante do Sheik

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Atrações Inegáveis
Laila acreditava de coração que o matrimônio deveria ser baseado em amor, não em obrigação.

Sua união com o Sheik Jabril ajudaria a melhorar e manter a estabilidade política de seu país, além de trazer honra e orgulho ao povo de sua província. E Jabril era com certeza bastante atraente.
Era alto, com a constituição de um Deus olímpico e transpirava poder e masculinidade. Mas esse homem era um jogador da pior classe, com amantes espalhadas pelo mundo!
Ela sabe que não pode dizer não ao Sheik da Surisia, assim solicita, respeitosamente, que tratem seu matrimônio como o acordo de negócios, tal como é.
Qual é sua resposta? Beijá-la! Com esse beijo, mostra que não aceitará nada menos que um matrimônio completo, mas ela também descobre que sua paixão e presença física provocam algo dentro dela que não pode controlar.
Em seu primeiro evento público juntos, Jabril confirma que escolheu uma esposa excelente. Não só é assombrosamente bela, mas também inteligente e com grandes habilidades sociais.
Será uma companheira digna para governar seu reino e compartilhar sua cama!
Sua resposta tremente às suas carícias o excita, mas a sugestão de que vivam vidas separadas o confunde e diverte. Não permitirá isso. A intensidade de seu primeiro beijo persiste em sua memória e não se deterá até que tenha provado tudo o que ela pode dar. Ele a quer em sua cama, a cada noite. E assim será!






Série Atrações Inegáveis
1- A Prometida Desafiante do Sheik




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Caminho para a Felicidade

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Herdeiro secreto!

O romance do príncipe Nadir com a inocente dançarina Imogen Reid foi tão breve quanto intenso. 
Porém, ela acabou indo embora carregando algo muito precioso. Agora que foi coroado sheik, Nadir precisa encontrá-la e trazê-la para Bakaan… e convencê-la a se tornar sua esposa. 
Contudo, Nadir não esperava que a presença de Imogen fosse mexer tanto com seu autocontrole. E quando resistir ao desejo se torna uma tarefa impossível, ambos decidem se entregar de corpo e alma a essa paixão!
Capítulo Um

— O que diabos é isso? — perguntou Nadir Zaman Al-Darkhan, príncipe herdeiro de Bakaan, à sua nova assistente, enquanto olhava para uma imensa e horrenda estátua no canto de seu escritório em Londres.
Ela o olhou como um filhote de coruja olhava para um lobo faminto. Em geral, as pessoas o tratavam com deferência ou medo. Segundo seu irmão, Zach, ele emanava uma aura de poder e determinação implacável que não combinava bem com relacionamentos pessoais, e era por isso que ele não tinha muitos. Em sua lista de prioridades, relacionamentos pessoais ficavam abaixo de trabalho, exercício, sexo e sono.
Nem sempre, sussurrou uma voz dentro da mente dele, conjurando a imagem de uma mulher com quem ele tivera um curto namoro mais de um ano antes e nunca mais vira.
— Creio que seja um veado dourado, senhor — gaguejou a assistente.
Nadir expulsou de sua mente a imagem da dançarina loira, concentrando-se novamente na estátua.
— Já percebi, Srta. Fenton. Mas o que diabos ela está fazendo no meu escritório?
— Foi um presente do sultão de Astiv.
Justamente do que ele precisava; outro presente de um líder internacional que ele não conhecia, oferecendo-lhe condolências pela morte de seu pai, duas semanas antes. Ele acabara de retornar à Europa e já estava farto de ser lembrado que não sentia nada pelo homem que o gerara.
— Diga, Srta. Fenton. Uma pessoa devia se sentir mal pelo pai dela ter falecido?
Os olhos da assistente dele se arregalaram.
— Não sei dizer, senhor.
O que significava que ela não queria responder. Nadir não costumava buscar a opinião pessoal das pessoas que trabalhavam para ele. Ao menos não em assuntos particulares.
Ela entrou lentamente no escritório dele e se sentou na beira de uma cadeira. Parecia estar esperando que ele a atacasse, o que podia ter algo a ver com todas aquelas emoções e lembranças indesejadas que a morte do pai de Nadir despertara nele. Mas, por Nadir, aquelas emoções e lembranças estavam enterradas havia muito tempo por um motivo.
— O que mais, Srta. Fenton?
— A Srta. Orla Kincaid deixou uma mensagem.
Nadir já estava se arrependendo de ter telefonado para uma antiga amante para convidá-la para jantar.
— Que mensagem?

Cercados pelo Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Seduzida pelo playboy!

Ao ser contratada para trabalhar na festa de réveillon do bilionário Xavier Moretti, a doce Tilly Rogers acredita que sua sorte está mudando. 
Porém, ela não esperava que uma nevasca a deixaria presa com seu chefe irresistível! 
Após a meia-noite, o contrato que fizera com Tilly terminara, e Xavier estava livre para seduzi-la. 
Esse notório playboy adora um desafio, e está disposto a realizar os desejos sensuais da inocente Tilly… Mas será que esse relacionamento terminará assim que a neve derreter?

Capítulo Um


Nada seria capaz de murchar o entusiasmo de Tilly Rogers pelo contrato que ela havia conseguido. Naquela noite, faria o serviço de bufê do réveillon de Xavier Moretti, o que impulsionaria a nova empresa dela.
Ela estava longe de Londres, e, felizmente, aquele réveillon seria muito diferente do ano anterior.
Tilly segurou o volante de sua pequena van branca quando a neve ficou mais pesada no pára-brisa. Ela já devia estar quase chegando. Ficou aliviada quando, ao fazer uma curva, avistou grandes portões de ferro diante dela, mas essa sensação logo desapareceu.
Os portões estavam firmemente fechados. A placa indicava “Mansão Wimble”. Ela estava no lugar certo.
Um pouco mais à frente, ela viu uma pequena guarita com portões abertos. Ao virar na entrada, viu marcas de pneu na neve. Outra pessoa já havia chegado, mas não podiam ser as funcionárias dela, Katie e Jane, que só chegariam à tarde.
A estreita pista atravessava um pequeno bosque e passava por uma velha ponte de pedra. Do outro lado, Tilly finalmente avistou a Mansão Wimble.
— Santo Deus — falou ao olhar para a imponente casa. A neve dava ao lugar um ar misterioso, enchendo a mente de Tilly com pensamentos românticos da casa em seu auge. Se ao menos ela tivesse tempo de passear por ali... Mas precisava cumprir com louvor o contrato daquela noite. Até então, Xavier Moretti, rei das corridas de moto que havia se tornado empresário e mentor de jovens motociclistas tinha sido seu cliente mais importante.
O e-mail com o pedido para que ela fizesse a festa de jantar do réveillon dele foi um choque. 
Era tudo de que a empresa dela precisava, e aquilo também faria bem a Tilly num nível pessoal, distraindo-a do que havia acontecido no ano anterior.
Ela pensou no pedido de Xavier Moretti: uma autêntica culinária italiana caseira, algo em que Tilly queria muito se especializar depois das horas passadas na cozinha de sua avó italiana quando menina. Ela sorriu determinada a tornar aquele jantar tão especial que ele e seus convidados jamais esqueceriam o nome dela.
Absorta em seus pensamentos, Tilly não percebeu que as marcas de pneu no chão pertenciam a um sofisticado carro esportivo preto, que já estava parcialmente coberto pela neve. Ela estacionou ao lado dele e saiu totalmente maravilhada com o lugar.
Contudo, haveria tempo para ver o resto depois. Havia uma van para descarregar e muito trabalho para a festa a ser preparada. Com um suspiro, ela se virou e ficou paralisada.
Na porta aberta, havia um homem, tão alto, lindo e imponente que Tilly teve certeza de que era Xavier Moretti. Ele a observava com uma expressão de confiança. Um esboço de um sorriso marcava os cantos de seus lábios.
O cabelo escuro dele se ergueu levemente ao vento. A compleição bronzeada parecia totalmente deslocada no cenário invernal da Inglaterra, e Tilly não conseguiu desviar o olhar dele. Ele parecia tão exótico e empolgante!

Protetor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Do ódio à paixão!

O sombrio texano Hayes Carson sempre suspeitou que Minette Raynor fora responsável pela morte de seu irmão. 
E nem mesmo a beleza hipnotizante dela o fará desistir de ir atrás da verdade!
Minette não consegue tirá-lo do seu caminho... ou da cabeça. Porém, quando descobre que está correndo perigo, ela sabe que Hayes é a única pessoa que pode ajudá-la. 
Mas, para protegê-la, ele precisa acreditar em sua inocência! Será que Minette conseguirá convencê-lo antes que seja tarde demais?

Capítulo Um

O xerife Hayes Carson odiava domingos. Não tinha nada a ver com religião, igreja ou algo espiritual. Odiava domingos porque sempre os passava sozinho. Não tinha namorada. Saíra com algumas mulheres em Jacobsville, Texas, mas esses encontros haviam sido raros e espaçados. 
Não voltou a ter um relacionamento sério desde que deixou o Exército, quando se envolveu com uma mulher que o trocou por alguém mais rico. Bem, havia saído com Ivy Conley, antes de ela se casar com o melhor amigo dele, Stuart York[1]. Tivera sentimentos por ela, também, mas não fora correspondido.
Além do mais, pensou com tristeza, havia Andy, seu escamoso animal de estimação que o impedia de ter um compromisso.
Isso não era estritamente verdade, meditou. O principal motivo para a escassez de mulheres em sua vida era o seu trabalho. 
Desde que assumira o posto de xerife, há sete anos, havia sido baleado duas vezes. Era bom no que fazia. Fora reeleito pelo povo sem precisar de segundo turno. Nunca deixava um criminoso escapar. Bem, com exceção de El Jefe, o maior traficante de drogas ao norte de Sonora, México, que possuía uma rede que cruzava o condado de Jacobs. Mas um dia conseguiria pegá-lo, prometeu a si mesmo. Odiava traficantes de drogas. Seu irmão, Bobby, morrera vítima de uma overdose anos atrás.
Ainda culpava Minette Raynor pelo que havia acontecido. Ah, claro, as pessoas diziam que ela era inocente, que fora a irmã de Ivy Conley, Rachel, morta mais ou menos um ano antes, que dera a dose fatal a Bobby. Mas Hayes sabia que Minette estava ligada à tragédia. Odiava-a e não fazia segredo disso. Sabia algo a seu respeito que ela própria ignorava. Havia mantido esse segredo durante toda a sua vida. Queria lhe contar, mas prometera ao pai que jamais revelaria a verdade.
Inferno!, pensou, enquanto bebia seu uísque.
Gostaria de se ver livre daquela consciência inconveniente que não lhe permitia quebrar suas promessas. Isso o salvaria de muita tristeza.
Hayes pousou o grande copo quadrado de uísque ao lado da cadeira de balanço e cruzou as longas pernas, enquanto olhava a pradaria desbotada que se estendia até a rodovia.
Estavam em meados de novembro e, na maioria dos dias, fazia frio, até mesmo no Texas. Mas naquele dia a temperatura estava um pouco mais alta. Havia acabado de jantar, de modo que o álcool não o afetaria muito; só o ajudaria a relaxar. Estava desfrutando do sol do entardecer. Como seria bom ter alguém com quem compartilhar aquele momento! Detestava o fato de estar sempre sozinho.
Parte do motivo de sua solidão estava no sofá da sala de estar, em frente à televisão. Ele suspirou. 
Seu melhor amigo escamoso aterrorizava as mulheres. Tentava manter Andy em segredo, até mesmo colocá-lo no quarto de hóspedes nas raras ocasiões em que trazia alguma mulher para casa, para andar a cavalo.
Mas Andy sempre acabava aparecendo, geralmente quando ele menos esperava. Em certa ocasião, enquanto fazia café na impecável cozinha, seu animal de estimação escalou o encosto do sofá onde a mulher desavisada se encontrava sentada.
Os gritos foram, de fato, aterrorizantes. Com pressa de chegar à sala ao lado, ele acabou deixando a cafeteira cair no chão. 
A mulher estava em pé no sofá, com um abajur na mão, ameaçando a iguana de 1,80m de comprimento, que a observava com o dorso arqueado.
— Está tudo bem. Ele é inofensivo!

Anjo Rebelde

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Um homem disposto a tudo para conquistar uma mulher

Lisa Heller, uma pintora amante da vida aventureira dos artistas, vivia viajando pelos canais de Amsterdam, sem destino certo. 

Trevor Den Ouden, por outro lado, era um advogado do tipo sério, conservador. O que levaria duas pessoas tão diferentes a se envolver? 
Destino? Talvez... Ou seria a certeza de Trevor de que por detrás da aparência rebelde de Lisa escondia-se uma mulher sensível e carente de amor?

Capítulo Um

— Ah, não! Assim já é demais!
Trevor den Ouden depositou a caneta sobre o papel com um suspiro impaciente e ficou de pé, afastando-se da mesa. Estava trabalhando nas especificações de um amplo projeto de engrenagens helicoidais para uma companhia aérea francesa. Nem mesmo os vidros reforçados da janela do escritório conseguiam amenizar o barulho que vinha do barco ancorado lá embaixo.
Era bem provável que a embarcação nem tivesse licença de estar ali, refletiu ele, apoiando as mãos no vidro enquanto olhava para baixo. Não costumava haver barcos novos ancorados em Herengracht, a menos que estivessem substituindo embarcações velhas. Aquele barco chegara há poucos dias e o bando de jovens que vivia nele começara a dar festas barulhentas toda noite desde então.
Trevor abaixou o braço e olhou para o relógio. Quase meia-noite. Estranho, mas, pelo visto, nenhum dos vizinhos ligara para a polícia, reclamando. 

Se bem que a maior parte dessa área de Herengracht era ocupada por bancos e indústrias, fazendo com que ele tivesse poucos vizinhos. Os únicos que moravam por ali eram pessoas que, como ele, preferiam a conveniência de ter um apartamento sobre o escritório.
Quase meia-noite e ele ainda estava trabalhando. Passou a mão pelos cabelos castanho-claros. Estaria ficando viciado no trabalho? Janine chamara sua atenção para o fato, há poucos dias, quando reclamara que falava mais com a secretária dele do que com ele próprio.
Talvez ela estivesse mesmo certa, concluiu. Ele reconhecia ter uma certa inclinação para organizar sua vida particular com a mesma precisão com que dirigia os negócios. Chegava a manter um esquema de agenda: Janine às segundas e sábados, Ingrid às quartas e de vez em quando às sextas.
A verdade era que gostava de trabalhar. 

Desde que herdara a pequena indústria de motores, há dez anos, fizera com que ela se desenvolvesse a ponto de se tornar uma poderosa indústria internacional. Para sua própria surpresa, descobrira que tinha talento para negócios e o que começara como uma obrigação acabara se tornando um prazer. Ou quase isso.
O som da música e risos vindos do canal voltaram a perturbá-lo. Estava prestes a voltar para a mesa quando voltou a ver a garota. Ela lhe chamara a atenção desde o dia em que o barco chegara. Por certo tratava-se de alguma aventureira, para se atrever a viver em um barco, na companhia de um bando barulhento daqueles.
Passou a observá-la melhor, tomado por uma espécie de estranha fascinação. Ela dançava descalça, no convés do barco. Seus cabelos eram uma volumosa massa de mechas douradas, que pareciam acariciar-lhe os ombros e as costas enquanto ela dançava. Suas roupas eram uma eclética mistura de cores e contrastes. O tipo de garota que faria Janine torcer o nariz e passar para o outro lado da rua, pensou com certo divertimento.
O som da guitarra elétrica preenchia o silêncio da noite de verão. Trevor balançou a cabeça, impaciente. Teria que tomar alguma providência quanto àquilo. Num impulso, pegou o paletó e jogou-o sobre o ombro, embora não precisasse dele com o calor que estava fazendo. Saiu do escritório e desceu pelo elevador, rumo às ruas de Herengracht.
— Ai! Isso dói!

Lisa riu:
— Bem, deveria ter sido mais cuidadoso, Duncan. Para que pegar cacos de vidro com as mãos, se existe vassoura e pá de lixo? Agora fique quieto para que eu possa passar mais remédio.
O atraente jovem fez uma careta quando ela colocou mais remédio em seu polegar.
— Sinto muito, Lisa. Aquele era seu vaso favorito. Vou lhe comprar um novo, amanhã.
— Ah, não é preciso — Lisa respondeu com um brilho de sorriso dançando nos olhos muito azuis. — Prontinho!

Flor do Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Beijos, carícias, olhares apaixonados... 

Pode um homem fingir tão bem?
Dançando com Raff, Jane sentia-se subjugada por esse homem sedutor, que a abraçava com paixão. 
Os lábios quentes a acariciavam com volúpia, e Jane não conseguia livrar-se da repentina sedução. 
Sabia que Raff não a amava, que só queria uma companhia para esquecer o abandono da ex-mulher. Mas para Jane era difícil afastar-se dele. 
O mais sensato era fugir dali, porém em seu íntimo desejava ficar, fechar os olhos e permitir-se ser conduzida pela emoção...

Capítulo Um

Jane Smith!
Ela manteve a cabeça erguida, embora sentisse o sangue subindo-lhe às faces devido a expressão surpresa que o homem mostrou, ao nome que ela dera à enfermeira que fazia sua ficha.
Mesmo que não acreditasse que fosse verdadeiro, ao menos não zombara do disfarce diante da funcionária.
Imagine o que ele teria pensado se ela houvesse calmamente anunciado seu nome completo. O que não tinha intenções de fazer, é claro.
Por um lado, era um nome extenso, por outro, correria o risco de ele já ter ouvido ou não falar em sua família. Em caso negativo, o nome não significaria muito. E, mesmo que fosse afirmativo, talvez não se impressionasse. O uso de seu nome completo, durante a última semana, não a levara, afinal, a lugar algum.
Sentia-se obrigada a admitir que fora um alívio vê-lo encaminhando-a ao pronto socorro daquele famoso hospital, embora soubesse que não sofrera fraturas, antes mesmo de ser examinada. Por mais que as contusões doessem, certamente não passavam de luxações.
Felizmente errara em seu julgamento a respeito de estar correndo "perigo". O homem, obviamente, mal podia esperar para se ver livre da responsabilidade que assumira.
Às luzes brancas e claras do hospital, ele se parecia ainda mais com Heathcliff do que pensara inicialmente. Seus cabelos eram muito escuros, embora não chegassem a ser negros, e tendiam a enrolar sobre a gola da camisa, agora que estavam secos. Os olhos cinzentos pareciam mais vivos em contraste com a pele bronzeada. Seu rosto tinha uma expressão forte e autoritária e algumas rugas. Linhas de expressão, como diria Jordan.
Ele parecia um pouco mais velho do que Jordan, que contava trinta anos, E não devia ter muito dinheiro, a julgar pelo carro velho, pela calça jeans e jaqueta surrada. Um homem que parecia dar pouca importância à aparência física, mas que irradiava magnetismo e masculinidade.
Um homem que não era de seu nível social, ao menos quinze anos mais velho, mas que curiosamente a atraía.
Devia ser casado ou divorciado. Se não fosse nenhuma das duas coisas, a essa idade, só restaria uma alternativa. Não! Nem por um segundo acreditaria que ele se inclinasse naquela direção. Poderia considerá-la irritante, mas isso não significava que não gostasse de mulheres!
E como seria sua esposa ou ex-esposa? Provavelmente alta, loira e inteligente, como tinha certeza de que ele era. Talvez estivesse divorciado pelo fato de a esposa não compartilhar de seus interesses.
Ridículo.Não sabia sequer o nome dele, e já o havia casado e descasado.
— Um bom nome inglês. — Ela defendeu o que era, afinal, parte de seu nome, e estendeu a mão. — Não creio que tenhamos sido apresentados.
Ele sorriu de sua súbita formalidade diante das circunstâncias e Jane se viu refletida naqueles olhos zombeteiros. Baixinha e vivaz, ela tinha um corpo que parecia de menina, apertado numa calça jeans, embora o busto firme e cheio estivesse bem realçado pela blusa de lã.
Os cabelos eram ruivos e ondulados e chegavam quase à cintura. Naquela noite estavam mais rebeldes do que o normal, após o rude tratamento de chuva e vento. Olhos azuis como safiras completavam a beleza daquele rosto oval, que se encontrava limpo, sem o menor vestígio de maquiagem. Deprimida como estava, Jane não tivera disposição para cuidar da aparência, como normalmente fazia, quando pretendia se encontrar com Jordan.
E ali estava ela, sentada na sala de espera de um hospital com um homem que parecia dominado pelo desejo de pegar seus cabelos, enrolá-los em seu pescoço e estrangulá-la!


O Principe de Alcamar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Uma jovem ecologista descobre a beleza do amor. 

Um romance perigoso numa ilha do mediterrâneo.
Era meia-noite na marina de Palma de Maiorca. A bordo do iate Época, Juan e Paula se amavam na luxuosa cabine, embalados pelo suave movimento das ondas do mar. 
Nenhum dos dois sabia que aqueles momentos de paixão eram o prelúdio de tormentosos acontecimentos. 
Enquanto estavam nos braços um do outro, um grupo preparava um atentado contra Juan. E a dona do iate, amante desse homem, armava sua vingança contra Paula!

Capítulo Um

Depois de observar o céu, Paula Castle resolveu correr o risco de velejar até a angra da Víbora.
Uma decisão reforçada pelo fato de haver vários barcos atracados na angra de Lom, a baía maior e mais segura da pequena ilha de Sa Virgen.
Essa ilha era muito apreciada pelos iatistas de Mairca. E graças ao sol da primavera, vários deles tinham se aventurado a sair de Palma nessa manhã de sábado, para arejar suas velas no primeiro dia bom do ano.
Entretanto, Paula era aversa a multidões, um sentimento que estava intimamente ligado ao amor forte e profundo que nutria pela natureza. Sentia um ódio mortal diante do que certas pessoas faziam, poluindo e envenenando a água, destruindo a fauna e a flora, enfim, agredindo a natureza. 
O amor ao ar puro fizera de Paula uma pessoa para quem três embarcações numa baia constituíam uma multidão. Por isso ela manobrou seu pequeno iate e rumou para a angra da Víbora.
Se bem que o fazem com certa apreensão. Fazendo jus ao nome, essa baía estava pontilhada de rochas pontiagudas como dentes de uma serpente. Seus despenhadeiros e correntes traiçoeiras a transformavam num lugar perigoso, sobretudo nessa época do ano. Era uma espécie de campo minado de rochas submersas, que já roubara a vida de mais de um marujo descuidado.
Em compensação, quem atravessasse a angra da Víbora seria recompensado por uma praia pouquíssimo visitada, e pela oportunidade de ver alguns dos mais tímidos animais das ilhas Baleares, como a tartaruga-gigante e o falcão de Eleonora,que estavam em extinção.
— Não posso deixar de ir para lá — Paula disse em voz alta. — O mar está calmo!
O hábito de falar sozinha vinha desde os tempos de adolescente, e continuara até agora, quando tinha vinte e dois anos.
— Hoje parece um dia de verão.
Era verdade, a não ser pela brisa fria, que a obrigava a usar uma capa impermeável. A uma distância de dois ou três quilômetros, a linha da costa de Maiorca apresentava-se clara como cristal sob o céu azul. E durante os vinte em que navegou torno do cabo, para entrar na angra da Víbora, Paula experimentou a sensação de primavera no ar. Ao dirigir o iate rumo às mandíbulas da Víbora, Paula concentrou-se no leme da embarcação.
O reflexo das águas emprestava a seus olhos uma tonalidade verde, quando na verdade eles eram castanho-claro. O vento desalinhava-lhe os cabelos compridos, às vezes atrapalhando sua visão. Ela os afastava com impaciência. No próximo verão, iria cortá-los bem curtinhos, e ao diabo com o que seu pai dissesse!
Atenta para estabelecer um curso entre a direção do vento e a intensidade da correnteza, sentiu a vibração da quilha, que subia ao convés de teca e se transmitia através do solado de seus sapatos.
Por um momento pensou que o barco fosse bater numa ponta de pedras, e sentiu uma contração de medo. Logo a embarcação passou a distância de um metro das rochas e deslizou para dentro das águas tranqüilas da enseada.
Com um sorriso de alívio, abaixou as velas, movendo-se com rapidez adquirida pela experiência. O mar ali na baía estava calmo e liso como a superfície de um lago. O esforço valera a pena. Enfim, teria paz absoluta...


Pelo Prazer de Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O amor poderia florescer em meio à mentira e à traição?

Kate e Bruce abandonaram-se cegamente à paixão que os uniu desde o primeiro olhar. 
Ávidos por saciar a necessidade de estarem juntos, levaram adiante a loucura daquele romance, como se a vida fosse uma aventura feita só de prazer.
Casaram-se e viveram noites alucinantes de amor e entrega, silenciando os protestos do bom senso. Às vezes


Capítulo Um

Lá do alto ele tinha uma boa visão enquanto o helicóptero se dirigia para o sul de Boston. "Minha estrada" pensou orgulhoso. "Duzentos e trinta e cinco quilômetros de estrada. Não, diabos! Duzentos e trinta e dois!"
— Mas agora eu pego essa bruxa!
— Vamos ver alguma bruxa, pai? Uma bruxa de verdade? — perguntou a garotinha em seu colo, animada.
— Sim, uma bruxa velha de verdade! — Sorriu. Voltando a olhar pela janela, a irritação estampou-se em seu rosto. Eram duzentos e trinta e dois quilômetros de estrada, formando um círculo de oito pistas em torno de Boston, indo de New Hampshire a Cape Cod. Só faltavam aqueles três quilômetros para completar o círculo. Ali ficava a fazenda com suas vacas e plantações de milho e feno. Só três míseros quilômetros! "Mas agora ela vai ver!”, ele pensou, apalpando a pasta que parecia estar inchada com o relatório que carregava.
— Nunca vi nenhuma bruxa! — a menina disse alegre.
— Pois hoje vai ver. E vamos pegá-la pelo rabo, gatinha — disse, rindo. — Oba! Uma bruxa com rabo e tudo! — A menina pulava feliz, no banco. Ele a observou com prazer. "Ela tem seis anos", pensou. "Seis anos e quase não a conheço. Por que usa cabelos tão curtos e só se veste com macacão e camiseta?" A Sra. Driscoll dizia que esta era a melhor maneira de enfrentar o calor. Mas não o convencia. Havia qualquer coisa estranha no modo como sua filha estava sendo educada. Ele passara os últimos cinco anos viajando pelo mundo todo, ampliando os serviços de sua construtora, enquanto Mattie crescia na casa dos Driscoll. "Falta algo a esta menina. Parece tão formal tão presa! É a primeira vez que a vejo rir desde que cheguei."
O helicóptero inclinou-se para a esquerda. Aproximavam-se de um descampado dentro da própria fazenda. Sobrevoaram a casa-sede, branca como todas as casas de fazenda da Nova Inglaterra. Uma trilha descia pela colina, da casa até a estrada rural. No meio da trilha havia um tronco enorme. Uma mulher estava sentada sobre ele. Cobria os olhos com a mão, protegendo-os do sol forte de agosto, enquanto acompanhava o movimento do helicóptero.
O aparelho pousou, fazendo voar as plantas secas a seu redor. Ele abriu a porta e desceu, voltando-se para pegar a garota. Ela sorriu e pulou. Enquanto as hélices diminuíam a velocidade, ele se afastou abaixado, com Mattie em uma das mãos e a valise na outra.
Mattie o fez parar, observando, encantada, as hélices que ainda giravam.
— O senhor veio em grande estilo, hoje, Sr. Francis! — A voz atrás dele era firme. Tinha um tom grave e envolvente. Ele se virou.
— Oh, desculpe! O senhor não é. Onde está o Sr. Francis? — ela perguntou.
— Está no hospital, com uma úlcera supurada — respondeu áspero. — Precisava amedrontar um pouco aquela mulherzinha antes de conversarem. Ela não devia ter mais do que um metro e cinqüenta. O cabelo cor de mel caía-lhe sobre as costas em duas tranças largas. Os olhos... Seriam cinzentos? Verdes, talvez. O rosto redondo, com o nariz cheio de sardas, era bonito, mesmo sem maquilagem. Sob a blusa larga e a saia franzida podia-se adivinhar um corpo bem-feito. Quantos anos teria? Vinte? Vinte e cinco? Com certeza tinha se casado muito nova!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Noiva Inadequada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Esposa inocente...

O magnata Gaetano Leonetti está sob forte pressão. 
Ate que se case, seu avô não permitirá que ele se torne CEO do império da família. 
Convencido de que o patriarca enlouquecera, Gaetano está determinado a fazê-lo mudar de ideia, e convence a governanta Poppy Arnold a ser sua noiva de conveniência. 
Com sua natureza enérgica e estilo incomum, Gaetano sabe que ela não é o tipo de esposa que seu avô tinha em mente. 
Porém, a dedicada e generosa Poppy acaba conquistando a todos... inclusive a Gaetano.  Agora, tudo o que ele consegue pensar é em possuí-la por completo!

Capítulo Um

Gaetano Leonetti estava tendo um péssimo dia. Tudo iniciara ao amanhecer, quando o celular tocara e começara a lhe mostrar uma sequência de fotos que o tinha enfurecido, mas que sabia que enfureceria seu avô e a diretoria conservadora do banco de investimentos Leonetti ainda mais. Infelizmente, livrar-se da mulher responsável pela história no deplorável tabloide era a única satisfação que poderia esperar receber.
— Não é sua culpa — disse-lhe Tom Sandyford, o advogado de meia-idade e amigo, num tom manso.
— É claro que a culpa é minha — protestou Gaetano. — Foi na minha casa, na minha festa e foi a mulher na minha cama na ocasião quem organizou a maldita festa...
— Célia era a estrela de TV com o hábito de usar cocaína que você desconhecia — lembrou Tom. — Ela não foi retirada do seriado logo depois que você a largou?
Gaetano fez um gesto de assentimento e cerrou mais os dentes brancos e perfeitos.
— Foi um caso de azar, isso é tudo — opinou Tom. — Não pode pedir aos seus convidados que apresentem suas credenciais com antecedência e, portanto, não tinha como saber que alguns deles não eram fiáveis.
— Fiáveis? — repetiu Gaetano, e o rosto bonito se contraiu com ar inquiridor. Embora tivesse nascido e sido criado na Inglaterra, o italiano fora o idioma em seu lar e ocasionalmente ainda deparava com palavras e frases em inglês com as quais não estava familiarizado.
— Cidadãos decentes e idôneos — reformulou Tom. — Então, algumas das mulheres eram prostitutas? Bem, no mundo privilegiado em que você circula, como iria descobrir isso?
— A imprensa descobriu — replicou Gaetano num tom sério.
— Com a costumeira e tola manchete “Orgia na Mansão”. Tudo será esquecido em cinco minutos. Se bem que aquela loura dançando nua na fonte da frente é memorável. — Tom tornou a examinar o jornal com interesse renovado.
— Não me lembro de tê-la visto. Deixei a festa cedo para pegar o voo para Nova York. Todos ainda estavam com suas roupas a essa altura — disse Gaetano secamente. — Realmente não preciso de outro escândalo como esse.
— Os escândalos parecem perseguir você. Presumo que o velho e a diretoria do banco estejam zangados como de costume — comentou o advogado com simpatia.
Gaetano comprimiu os lábios cheios e másculos em silenciosa concordância. Em nome da lealdade e do respeito da família, estava pagando no sangue de seu ferrenho orgulho e ambição pelo mais recente escândalo.
 Deixar Rodolfo, o avô de 74 anos, ralhar com ele como se fosse um menino levado mostrara-se uma péssima experiência para um bilionário cuja consultoria em investimentos era procurada por governos tanto no Reino Unido quanto no exterior. E quando Rodolfo enveredara por seu sermão favorito quanto a Gaetano ser um mulherengo, este tivera de respirar fundo várias vezes e resistir à vontade de apontar ao avó que as expectativas e valores haviam mudado desde a década de 1940 tanto para os homens quanto para as mulheres. 
Rodolfo Leonetti casara-se com a filha de um humilde pescador aos 21 anos e, durante seus cinquenta anos de casamento feliz, nunca olhara para outra mulher. Ironicamente, seu único filho, pai de Gaetano, Rocco, não aceitara o conselho do pai sobre os benefícios de se casar cedo. Rocco havia sido um playboy notório e um jogador incorrigível. Casara-se com uma mulher jovem o bastante para ser sua filha quando tivera cinquenta anos, fora pai um filho e falecera dez anos depois ao se exceder na cama de outra mulher. Gaetano achara que estivera pagando pelos pecados do pai quase desde a hora de seu nascimento. Aos 29 anos e um dos proeminentes banqueiros mundiais, estava cansado de ser continuamente forçado a provar seu valor e de confinar seus projetos às expectativas estreitas da diretoria. Havia ganhado milhões para o Banco Leonetti; merecia ser o presidente.
De fato, o ultimato zangado de Rodolfo naquela manhã deixara Gaetano ultrajado.
— Você nunca será presidente deste banco enquanto não mudar seu modo de vida e se casar, tornando-se um respeitável homem de família!


Uma Família Especial

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


De playboy a pai?

O agente de Hollywood Ian Shaffer fica intrigado com a intensa atração que sente pela treinadora de cavalos Cassie Barrington. 
Com curvas exuberantes e beleza natural, ela é a mulher mais encantadora que já conhecera. 
E sua vulnerabilidade e paixão são o que a tornam realmente irresistível. 
Contudo, Ian não é o tipo de homem que tem relacionamentos sérios… muito menos com alguém que tem um filho! 
Pena que a apaixonante Cassie fará com que esse famoso playboy deseje quebrar as próprias regras!

Capítulo Um

De repente, Ian Shaffer tinha nos braços uma mulher pequena e curvilínea. Uma grande quantidade de cabelos ruivos sedosos cobria metade do rosto dela e, quando ela pôs as mechas para trás e olhou para cima, Ian encontrou o par de olhos azuis mais intrigante que já vira.
— Você está bem? — perguntou ele, sem pressa de soltá-la.
Assim que ele entrara no estábulo de Stony Ridge Acres, essa linda mulher literalmente caíra em seus braços.
A mão delicada contra seu ombro empurrou gentilmente, mas ele não se moveu. Como poderia, quando todas aquelas curvas pareciam perfeitas contra seu corpo, e ela ainda estava tremendo?
Ele podia não conhecer muito sobre a indústria de cavalos, mas mulheres... Sim, conhecia muito bem as mulheres.
— Obrigada por me segurar.
A voz baixa e rouca o abalou, tornando-o ainda mais grato por ter ido a esse set de filmagem para cuidar das necessidades de seu cliente pessoalmente... e, esperançosamente, conseguir a assinatura de outra atriz para sua excelente lista de clientes.
A maioria dos empresários não visitava sets tão regularmente quanto Ian, mas ele não perderia a oportunidade de manter Max Ford feliz, e de permitir que sua cliente em perspectiva, Lily Beaumont, testemunhasse como ele era um participante ativo. Considerando sua pouca idade, o fato de ele ser considerado um tubarão na indústria era bom para os negócios.
Ian olhou para a escada manual que subia para o palheiro do estábulo espaçoso. Seus olhos se estreitaram num degrau que estava caído, pendurado verticalmente, o culpado pela queda da mulher.
— Parece que sua escada precisa ser reparada — disse ele, fitando os grandes olhos azuis expressivos.
— Eu pretendia consertá-la — respondeu ela, olhando para sua boca. — Você pode me soltar agora.
Sim, ele provavelmente a estava assustando ao mantê-la em suas garras. Mas isso não o impediu de deslizá-la lentamente para o chão, sentindo o corpo curvilíneo roçar contra o seu.
Mantendo a mão no braço dela, Ian estudou-a de cima a baixo. Justificou a ação dizendo a si mesmo que estava procurando sinais de ferimento, mas, para ser sincero, apenas queria vê-la melhor.
— Você está ferida em algum lugar?
— Apenas meu orgulho está ferido. — Dando um passo atrás e se afastando do toque dele, ela alisou a camisa xadrez de botão. — Eu sou Cassie Barrington. E você?
Ele estendeu a mão.
— Ian Shaffer. Sou o empresário de Max Ford.